Temos aqui um filme muito interessante e muito importante para ver.
O tema do filme à volta dos direitos das pessoas LGBT, numa região onde se viveu uma guerra há pouco tempo, é de uma grande coragem e ele fala disso mesmo, de coragem. Da coragem de viver e de querer viver em total liberdade. As relações humanas são transcritas com uma beleza e leveza que as glorificam e falamos aqui de pessoas de vários países dos Balcãs e das várias religiões que lá vivem. No centro, uma "Gay-Pride Parade" que está ameaçada por uma fracção fanática e fascista ainda vigente e aterradora. O filme é muito bem feito e liga situações deprimentes, e infelizmente reais, com momentos de humor bem conseguidos. Com filmes destes aprendemos o quanto é importante apoiar quem todos os dias dá a cara, corajosamente, pelos direitos da comunidade LGBT. O primeiro passo seria sair de armário, mas, nem sempre é possível. Infelizmente, não são apenas as pessoas que são LGBT, que sofrem, não! Mas essa estúpida obsessão em legislar o amor é do pior que há. Deixem as pessoas em paz! Não há nada de pior do que pensar que existe um direito intrínseco de se sentir superior em relação aos outros e que esse direito pode legitimar a violência e a opressão. A falta de direitos não é só fruto da orientação sexual, todos os dias vimos pessoas descriminadas pela sua cor de pele, pela sua religião, pelo seu género, idade. Sim! Os direitos Humanos, são para todos e todos deveríamos lutar por eles! É o nosso futuro! Não precisamos de estar todos de acordo, mas precisamos de nos respeitar e de viver em conjunto! Hoje e sempre!
As legendas são em Inglês! Ooops é o que se conseguiu.
http://en.wikipedia.org/wiki/The_Parade_(film)
De Srdjan Dragojevic
Cast
We have a very interesting and very important film here to see.
The theme of the film around the rights of LGBT people, in a region where there was a war recently, is of great courage and he speaks of that, of courage. The courage to live and to want to live in total freedom. Human relations are transcribed with a beauty and lightness that glorify them and we speak here of people from various countries in the Balkans and from the various religions that live there. In the center, a "Gay-Pride Parade" that is threatened by a fanatic and fascist faction still in force and terrifying. The film is very well made and links depressing, and unfortunately real situations, with well-succeeded moments of humor. With films like these we learn how important it is to support those who bravely face the rights of the LGBT community every day. The first step would be to come out of the closet, but it is not always possible. Unfortunately, it's not just people who are LGBT who suffer, no! But this stupid obsession with legislating love is the worst. Leave people alone! There is nothing worse than thinking that there is an intrinsic right to feel superior to others and that this right can legitimize violence and oppression. The lack of rights is not just the result of sexual orientation, every day we see people discriminated against for their skin color, their religion, their gender, age. Yes! Human rights are for everyone and we should all fight for them! It's our future! We don't all need to agree, but we need to respect each other and live together! Today and always!
A Nicole gania de dor quando adormecia. O seu tumor na mama rebentara em dezembro e purgava, desde então, um líquido nauseabundo. A sua saúde deteriorava-se a olhos vistos. Ela teve de alterar o seu comportamento, dormir em casa ao invés de dormir ao relento, garagem, como sempre fizera e eu, também, tive de adaptar-me. Acabava a vida rebelde que ela tanto prezava, as estrelas como teto, a liberdade que tanto amava, e, sobretudo, acabavam as noites com a sua grande amiga e labrador Luna. Terminava, também, toda ou qualquer vida social para mim, tudo se focava no seu bem-estar e no seu conforto.
Ela estava muito doente, as suas costas desenhavam o seu minúsculo esqueleto. Ela perdera, gradualmente, a sua massa muscular e, além disso, uma das suas pernas de trás, devido à artrose, não dobrava, o que impossibilitava andar ou levantar-se sozinha.
Na altura, a veterinária que chamei para vê-la avisou-me logo: - "Vai ter de lavar a ferida, a cadela e a sua casa quase todos os dias. A casa era toda a hora, a cadela a cada dois dias e a ferida duas vezes por dia." Era um trabalhão!" A conversa com a veterinária, não se ficou por aí, já se prenunciava o fim. Dois meses disse-me ela, porque, supostamente, ela tinha uma cadela com a mesma patologia e acabou por morrer depois de dois meses. Falamos da eutanásia para pôr fim ao seu sofrimento, mas, apenas se houver algo que me levasse a isso. Não era preciso naquele momento. Devo confessar ter medo de testemunhar a morte dela, de chegar a casa e de a encontrar muito mal, mas, não me sentia bem em fazê-la ainda. Ela continuava a fazer uma vida quase normal, dava-lhe a medicação, estava vigorosa, continuava a passear pelo pátio, fazia o que sempre fizera. Estava bem. Em dezembro o Coronavírus estava muito longe de perturbar as nossas vidas.
Depois do natal, a minha chegada a casa a seguir a um dia de trabalho era acompanhada de uma grande ansiedade - como ela não saia à rua, o meu chão era a casa de banho dela e a minha tapeçaria da sala o seu espaço preferido, por ser, penso eu, um lugar um pouco escondido. Afinal ela tinha, sim, tinha, um pouco de vergonha. Eu, acabava por ter de tirar as mesas e as cadeiras que impediam a esfregona de passar. Sofria antecipadamente com a possibilidade de encontrar a casa num estado pouco apresentável. Na altura, pensei em fazer uma parceria com uma marca de lixívia pela quantidade de lixívia que usava. Era como se a minha cadela arrendara uma casa com cozinha, sala de jantar e a casa de banho incluída. Ela não pagava nada, mas era muito exigente. A enfermeira era eu e estava incluída nessa transação.
Ela era de porte pequeno, de uma raça indefinida, daquelas que gostamos por não se parecerem com nenhuma outra. Era feia, feia mesmo! Os seus pelos eram encaracolados na cabeça, o seu temperamento, que podia ser a única coisa que lhe pudesse conferir uma beleza interior, era terrível, mas, era o que lhe dava o seu charme e a sua resiliência.
Algumas vezes colocou-se em apuros - tentou "atacar" cães do dobro do tamanho para me mostrar o quanto ela era capaz de proteger-me. Quando eles se viravam contra ela, ela corria ter comigo para procurar reconforto e provocá-los, como se fosse uma criança agarrada às minhas pernas. O problema é que o medo que ela sentia passava a ser o meu. Uma partilha feita com muito amor. A questão que se colocava era: - "o que fazer para afugentar, gentilmente, um cão enorme com cara de mau?" A minha estratégia era dispersar a atenção do cão grande e dando um raspanete à Nicole antes de, tranquilamente, entrar em casa. Nada como fazer um método de diversão. Os problemas ficavam por aí. Mesmo assim, ela ostentava um ar de superioridade. Era uma pequena cadela cheia de força.
Ela não sabia nada da Covid 19, do confinamento, do estado de emergência, mas, agradecia o facto de eu estar em casa no período em que a doença se apoderava dela.
Estava confinada, estávamos confinados, e era para o bem de todos. Ainda é o que eu acredito - para o bem de todos e o meu. A situação com a minha cadela, que me era penosa, por ter uma carga de trabalhos enorme, também permitia-me estar ocupada, de concentrar-me num objetivo altruísta e de ter uma forma de comunicação saudável - chamava-a de todos os nomes quando ela sujava a cama dela. Era uma forma de afugentar a ansiedade, uma comunicação que eu chamaria de saudável. Sim, eram palavras que o vento levava, nenhuma delas era sentida, mas, faziam-me bem… Sempre que ela precisava de mim, ela chamava-me, e eu, ia logo acudi-la.
Ficamos em casa, eu tinha muito com que fazer e a vida é preciosa, a minha, a nossa, a das nossas famílias e da minha cadela. Eu estava lá para ela, mas, também para as pessoas que eu conhecia e que não conhecia. No início, as minhas noites sabiam o quanto eu tinha medo de ir lá fora. As compras tornavam-se um filme de aventura de Steven Spielberg - "A Busca da Arca Perdida". O que se seguia nem sempre era uma aventura - lavar tudo…
A pequena cama que ocupou a cozinha durante quatro meses era o espaço que ela assenhoreou. As panelas que estavam no armário atrás eram de difícil alcance, mas, não era a sua preocupação - a minha talvez - a sua principal preocupação era sair dela. A deterioração devido à doença acentuava os cuidados e a comunicação entre nós. Era suficientemente inteligência para dizer-me quando precisava ir à rua fazer as suas necessidades. Durante o confinamento eu estava em casa, e ela só fazia as suas necessidades, em casa, quando eu não estava presente. A perna que ela não dobrava não a permitia atingir o resultado que emanava do seu esforço, eu ia lá para aliviar a sua frustração.
Estes dois meses de preparação, em que a minha rotina era manter a casa habitável, transformaram-se em dias de coabitação durante o confinamento.
No início, os dias pareciam com dias e multiplicavam-se como dias. A cama confundia-se com o sofá, as séries e filmes desfilavam como se fosse água saciando o vazio em que a ociosidade se tornava insuportável. A minha sanidade mental remetia-me a doce convivência com a minha cadela doente. O espaço-tempo entrava num vórtice de recomeços e fins, sem fins. Ajudava-a para me ajudar.
Dias e dias a lavar a roupa devido à mama rebentada, comprimidos repetidos para afugentar a dor e acalmar as vozes de agonia. Dormir já não me pertencia, o relógio, as horas que definiam o meu tempo era as horas em que eu tratava dela.
Todas as manhãs eram de passeio matinal, ela ladrava e eu bem ou mal ia levantá-la da cama com um pano para não me sujar. Era o pano do dia, diariamente havia um, tal como a roupa, lençóis, mantas, tapetes que giravam por baixo dela. Nas noites em que ela não conseguia chamar-me, encontrava a cama toda suja. Ela gostava de banhos, mas os hábitos começavam a ser-lhe penosos. Tinha um mau feitio e era muito independente. Ladrar às pessoas era o seu momento preferido, agora, ladrava só para mim, e algumas vezes esquecia-se de o fazer. Eu é que lhe dava a independência para preservar o seu orgulho.
Perto de janeiro e fevereiro, eu ajudava a levantar-se, mas ela ainda andava. Era só dar-lhe o equilíbrio suficiente para se movimentar e se ela caísse eu agarrava-a até ela conseguir. Luna, a labrador, não percebia a incapacidade da amiga e derrubava-a, apenas, com a sua cauda. Foram momentos árduos. Após de dar-lhe atenção, ela deixava-me tratar da Nicole, mas, apenas depois de lhe dar atenção. Mesmo assim, ela ainda andava, fazia sozinha as suas necessidades e fugia quando olhava para a cama ao regressar em casa por medo de lá ficar de novo. Eu não impunha um tempo para ela passear, quando ela se cansava era ela que se colocava de novo na cama. Eu ajustava as pernas e o corpo para ela se sentir mais aconchegada.
Durante o confinamento ela piorava e piorava muito. Eu, entre momentos de trabalho feito a partir de casa e a revista de livros, músicas, filmes e séries, aceitava a imensa preocupação que ela agregava aos meus dias. O confinamento já era, por si só momentos de aflição. Tudo o que acompanhava as incertezas batiam à porta de todos os portugueses. Por sorte uma pequena luz se entreabria aquando da resposta dos nossos governantes. As minhas inquietações não se focavam apenas na doença da Nicole, a minha própria sobrevivência e a da minha filha entrava na equação. Como iria sustentar a minha filha, a mim, como iria pagar as minhas contas, tudo isso era um pouco de nervosismo disfarçado na tranquilidade com a qual eu tratava do meu pequeno ser. Atitudes foram tomadas para eu conseguir ter dinheiro para cobrir algumas das minhas obrigações. Comer era de certeza a primeira. As escolas foram fechadas e a minha filha ficou em casa e ainda bem, teimava para ela e para nós em casa. Paramos as visitas aos meus pais por serem da idade mais problemática. Fechávamo-nos em casa. Eu, já lá estava, mesmo assim.
Durante o confinamento ela piorava e piorava muito. A minha atenção desdobrava-se, a máquina de lavar a roupa trabalhava incessantemente. A cama dela e o chão eram desinfetados constantemente. O pouco que restava do seu corpo era lavado mais vezes, abraçava-a e pedia-lhe desculpa por ela estar nessa situação. Não sabia o que fazer. Ela, agora, só andava com a minha ajuda. Agarrava-a e agarrava no seu flanco para ela fazer cocó, chichi e andar porque eu sabia que lhe fazia bem. Curvava-me para facilitá-la.
As noites sobrepunham-se aos dias. Quem apagara a luz do sol?
As plataformas de produções, de filmes e séries eram e são muito aliciantes para os nossos dias. Já pagava uma delas, o que permitia a mim e à minha filha vermos o que queríamos em qualquer lugar. Eu sabia que numa outra plataforma de televisão "online" tinha documentários que eu queria muito ver. Que me suscitavam uma grande curiosidade! Era compatível com o meu serviço e percebi ser gratuita durante quinze dias, por isso, decidi arriscar. Vi o primeiro documentário e do nada decidi ver Chernobyl, uma série que teve muito boa receção e com um número muito elevado de boas críticas. Pensei cá para mim - vou ver o primeiro episódio para perceber se todas as críticas positivas eram fundadas. Não sou crítica, mas pensei poder ser interessante e os quinzes dias grátis soavam na minha cabeça.
Chernobyl foi um dos momentos mais marcantes do meu confinamento. Mais marcante como impacto derivado de uma minissérie de ficção que é baseada num facto que se passou no início da minha adolescência. Lembro-me perfeitamente da mística que criou na minha imaginação na altura. Falava-se em chuvas tóxicas que iriam dar a volta ao mundo. A penumbra encontrava um terreno fértil em adolescentes como eu.
Comecei a ver o primeiro episódio à uma da manhã e fiquei colada a ele durante os cinquenta e seis minutos da sua duração. Não houve contemplações, entramos logo no acidente e vivemos as mesmas dúvidas que os intervenientes. Era uma testemunha do que acontecera. Eu sabia a gravidade da situação, porque a vivia, e ao constatar a forma como foi gerido deu-me uma volta ao estômago. Revoltada passei a ver o outro episódio como se fosse vital para mim.
Vi o primeiro, seguiu-se o segundo, o terceiro e de repente eram quatro horas da manhã, mais coisa, menos coisa. Parei, provavelmente, para ir beber algo, ver se a Nicole estava bem e respirar um pouco. Estava numa indecisão nessa altura, ver o quarto episódio ou ir deitar-me? A excitação que eu sentia opunha-se ao meu mal-estar e a série acabava por ser uma revelação do que eu, e a maior parte das pessoas, não sabíamos. A progressão encaminhava a minha curiosidade. Uma certa inquietação queimava-me, toda a situação superava o meu sono. Decidi, então, entrar na quarta fase e era provável que acabaria na quinta fase desta série, na mesma noite em que a iniciei.
Tudo se centrava no núcleo da central nuclear e eu também. As imagens continuavam a dominar o meu incómodo, estava devastada, mas muito desperta.
Acabei por ver o último episódio entre a raiva e a indignação. Sentia-me dentro de uma bolha, num universo paralelo onde a televisão retinha-me, inebriada pelas imagens que me assombravam. Fervilhava um nervosismo palpitante, levantei-me do sofá, testemunho do meu desespero e fui para a rua, para o jardim.
Ainda era de noite, mas algo mudara. Enquanto despertava gradualmente da série, respirava o ar que me roubara, renascia da minha fúria deixada a poucos metros atrás e reparei que os pássaros cantavam numa cacofonia inaudível. Eram tantos, mas tantos, espalhados pelas árvores que cercam a minha casa. Respirava finalmente o ar puro do meu jardim que contrastava com o sufoco de um acidente nuclear e soprava de alívio por estar na minha casa, longe, espacial e temporalmente da tragédia. Acordava abraçada aos gritos dos passarinhos esfomeados à espera de comida. Acordava com a vida a superar a morte. Levantei os olhos, espantada por tanta beleza e ao longe uma luz quebrava o horizonte. O sol nascia da penumbre. Não me recordava do nascer do sol, tampouco da beleza porque trabalhava e acordava sempre com ele. A luminosidade penetrava a noite e os raios libertavam-se num dos mais bonitos cenários que eu vi durante o confinamento. A frescura do ar espalhava um sentido à minha vida. Os pássaros não paravam a sua azafama tarefa e eu redescobria que o dia despertava com tanta beleza. Chernobyl foi provavelmente a mais intensa série que eu vi durante a quarentena, mas, não superou a nascimento da natureza, do sol, da vida.
Nicole não queria saber das minhas descobertas, emoções, lembranças ou estado mental. Só queria atenção e ajuda. Os últimos dias foram difíceis, mas, houve um momento em que pensei que ela melhorava. Já punha a pata da frente no chão, já andava de novo quase sozinha, a minha ajuda era quase irrelevante, quando - o destino é terrível - ela teve uma convulsão. Pensei que a perdera - estava dura e não respondia. O meu pior pesadelo acontecia.
Fiquei ao lado dela, disse à minha filha para vir dar-lhe um beijo de despedida, algo que ela recusou fazer. Agarrei-a e coloquei-a na cama.
A minha resposta foi de espanto. Não sabia o que fazer, mas sabia que tinha de fazer alguma coisa. Esperei e percebi que ela respondia, que fora apenas um espasmo. Recuperou aos poucos. À noite, ela não quis beber água e comer, tentei dar-lhe com uma bisnaga, mas, ela não engolia. Não sabia quais eram as sequelas da convulsão. Foi neste preciso momento que tomei a decisão. Telefonei aos veterinários para proceder à eutanásia. Durante a quarentena e o estado de emergência, não era fácil gerir a situação. Consegui que viessem à minha casa. Nunca senti um peso tão grande nas minhas costas. Não sabia o que queria, mas, ia apenas protelar o inevitável e ela iria sofrer com isso.
A veterinária finalmente chegou. Olhou para a Nicole e verificou o mesmo que eu. Que já estava numa espiral e que o melhor para ela era docilmente fazê-la partir. Docilmente, digo porque é o que eu senti. Ela colocou o cateter, deixou-me dizer-lhe adeus e injetou um líquido que a adormeceu à minha frente. No meu olhar escondia-se um vazio. As emoções atropelavam-se. Dei-lhe uma última festa e ela deixou a cama dela vazia à porta do armário. A veterinária levou-a e eu fiquei atónica o resto do dia.
O meu confinamento foi muitas emoções espalhadas pelos dias de solidão em que todos ou quase vivemos. A Nicole era uma pequena cadela que teimou em viver depois dos catorze anos.
Estava a escrever sobre o filme "Retrato de Uma Jovem em Chamas" quando, ao pesquisar o trabalho da realizadora e argumentista Céline Sciamma vi, que além dos filmes "Lírios d´água" e "Tom Boy", dois filmes com temáticas LGBT, ela fez este filme que eu não conhecia. Pensei que era um trabalho um pouco diferente e que valia a pena ver. Foi o que fiz e fiquei completamente apaixonada, de tal forma, que decidi mudar a mensagem e escrever sobre este filme.
"Girlhood" é filme sobre o crescimento de uma adolescente negra nos subúrbios parisienses, e a sua mudança quando ela entra para um "gang" de raparigas. O "gang" que elas criam é como um guião que lhes permite fugir das suas realidades em que as liberdades individuas são abafadas e julgadas. Elas sonham sair. Vivem num mundo muito machista, patriarcal, no qual são impedidas de se exprimirem por serem raparigas, mulheres, devido à herança cultural, étnica, da família ou da religião. A pobreza é um ponto em comum, a escola não é um abrigo, ela não facilita a emancipação e a descoberta do amor é uma armadilha, mesmo se, este amor é recíproco.
No percurso de Marieme há muitas transformações. É lindo ver a preocupação da realizadora em tocar nestas transformações e deixar-nos como testemunhos de uma ficção que não está muito longe da realidade. Sciamma foca, mesmo assim, a ligação que elas constroem, representa-as como forças da natureza que são. O filme é realizado em 2015 e, para mim, é chocante perceber que estas realidades perduram há décadas. Ela frisou, numa entrevista, que não há nenhuma, ou quase nenhuma, representatividade das mulheres negras no cinema em França. Foi encontrar as suas atrizes na rua.
É um filme sobre a liberdade numa prisão, qualquer que seja a prisão. Sciamma desenhou-nos um filme sobre a rebelião, a resiliência, a coragem, a identidade, a pertença e a força. Ela pintou os contrastes da sociedade em que vivem, em que vivemos.
Billie Eilish é uma rapariga de 18 anos que conquistou o mundo com a sua música e personalidade. A sua carreira é um estrondo ao nível mundial. É, aliás, por causa disso que quis fazer esta mensagem, porque estou simplesmente pasmada com a sua ascenção.
Para isso, vou tentar escrever, da forma mais cronológica e honesta, a minha descoberta até os dias de hoje, com, pelo meio, a sua passagem por Portugal.
Enquanto, eu estava deliciada com as minhas novas paixões musicais, surgia uma rapariga da Internet de uma forma nunca vista. Aliás, foi a minha sobrinha que me fez descobrir Billie Eilish, na única vez que falamos sobre música. Falei-lhe das minhas paixões e ela mostrou-me um vídeo de uma rapariga chamada Billie Eilish, que eu não conhecia, apesar de ter 7 milhões de subscritores no YouTube. Fiquei muito perplexa, agarrou no telemóvel e fez-me ouvir "Bellyache". Não queria acreditar nas palavras... Verdade seja dita que a música era muito interessante, a produção um regalo e o desempenho vocal muito, muito bom. Fiquei muito curiosa...
Bellyache
Não sabia nada sobre ela, mas, mesmo nada, apesar de já dar cartas nos Tops (inter)nacionais com o seu EP "Don’t Smile at Me". Os meus dias passavam a ouvir outros artistas até que, de repente (para mim), já não me lembro onde e quando, vejo "When The Party is Over". Bem, o que me chamou a atenção, como a todas as pessoas aposto, foram as lágrimas pretas a caírem dos seus olhos. Aqui sim, comecei a perceber que ela diferia de tudo o que era produzido. Podemos falar do vídeo, da sua camisola branca imaculada, numa atmosfera branca e lágrimas pretas a caírem como se fossem o epítome de sofrimento e de libertação. Incrível. Fiquei espantada, devo dizer, com a simplicidade do vídeo, da música e a interpretação é mais uma vez muito boa. Vai muito baixo que até arrepia e sobe como se nada fosse.
When the party is over
Depois, saiu a música e o vídeo de "Bury a Friend". A produção da música é genial. O seu irmão Finneas é quem produz e escreve as músicas com Billie Eilish. Esta música é minimalista, bem orquestrada e apoia a letra de uma forma perfeita. A letra é como um expurgar dos demónios, dos nossos medos, das nossas perdas, do suicídio. O vídeo é extraordinário, parece um sonho tirado de um filme de terror. Não me choca em nada. A voz masculina é maravilhosa e contrapõe-se à dela, como se fosse um chamamento que a puxa para cima, para a terra, para a realidade e aceitar a vida apesar dos sofrimentos. Os demónios estão por baixo da cama.
Bury a friend
Estou a tentar ser o mais próximo possível da minha cronologia em relação à minha descoberta, por isso, a música que se segue é de um vídeo de 2018, (ela tem 16 anos) que vi em 2019 no “show” da Ellen, que passa em Portugal com uns meses de diferença. Portanto, como devem perceber, está tudo um pouco interligado. Na altura, Billie Eilish estava em todos o lado. "Bad Guy" já saíra. Eu, só começava a dar mais atenção ao seu trabalho, como explico mais em cima, quando vi... "You Should See Me in The Crown" e fiquei pasma! Fiquei apanhada! Foi o momento chave que selou a minha admiração. Ainda há mais, mas este, foi o momento. Na atuação, há apenas o irmão num sintetizador e um baterista. Uma produção, outra vez, diferente, minimalista, pormenorizada e, além disso, as palavras são de empoderamento - força; superação e de conquista. O Álbum "When We Fall Asleep, Where Do We Go?" ainda não saíra em 2018, apesar de ela interpretar esta música que faria parte dele. Deixo-vos com esta incrível perfomance.
You should see me in the Crown
Eu, aparentemente, não tenho uma idade que se encaixa no universo dos fãs ou dos apreciadores de Billie Eilish. Pelo menos, era o que pensava, mas, depois do que vi, tudo mudou.
Foi de tal forma que, eu tinha bilhetes para ir ver um concerto de uma das minhas cantoras preferidas em julho de 2019, quando a minha sobrinha e a minha irmã disseram-me que tinham bilhetes para irem ver Billie Eilish em setembro, no Altice Arena. Estou a falar, provavelmente, de um jantar, em casa dos meus pais, por volta de junho, muito próximo do acontecimento. Depois do jantar, fui a correr para a Internet para comprar bilhetes para mim e para a minha filha e qual foi o meu espanto!? - estava tudo vendido! Os únicos bilhetes que restavam eram para a plateia, mas, tinham um limite de idade que impossibilitava a minha filha de 11 anos de ir. Mesmo assim, procurei em outros sítios “web” para conseguir bilhetes e consegui, não apenas para mim, mas sobretudo para a minha filha. Uma mulher, rapariga como a Billie Eilish, um ícone quase da idade delas (a minha filha e sobrinha) feminista é algo que se deve partilhar com todas as raparigas do mundo. Ela é a imagem do que eu acredito ser uma mulher forte, boa influência, presando a sua liberdade e lutando pelos direitos das mulheres. Assume-se diferente, fala abertamente das suas experiências, da sua saúde mental, do seu síndrome e quebra tabus em relação ao que é ser uma artista planetária. Defende o direito de não se estar bem e utiliza a música como catarse para ela e para os seus fãs. Veste-se como quer e foge dos estereótipos e preconceitos associados às mulheres que asfixiam muito o crescimento das raparigas. Após conseguir os 2 bilhetes nos balcões, não me importei com mais nada. Fiquei radiante!
"Bad Guy" é uma música em que ela assume ser ela o "Bad Guy." É interessante ver como ela se coloca em relação à letra. Ela pretende ser ela que está no poder, que é ela que manda e que é ela que decide com quem se relaciona. A produção é mais uma vez incrível. O vídeo é bem-disposto, ela parte tudo, goza um pouco com a imagem do "Bad Guy" - o fim confirma a tomada de poder. O vídeo tem mais de 800 milhões de visualizações, a canção foi canção do ano para os Grammy Awards. Aliás, o álbum também.
Bad Guy
O seu sucesso estava à vista de todos. Quebrava todos os recordes com as músicas e os vídeos que lançava. "When We Fall Asleep Where do We Go?" era primeiro em muitos países, Portugal incluído. Eu, dentro deste álbum, descobri músicas que me tocaram pessoalmente - faixas mais íntimas, sentimentais, intensas, diferentes e muito bonitas, tanto na interpretação como na mensagem. É verdade que ela aborda temas muito profundos em todas as suas músicas, mas estas têm um lugar muito particular no meu coração. De tal forma, que são hinos de uma beleza incomum. É estranho serem as 3 últimas: "Ilomilo"; "Listen Before I Go" e "I Love You". A voz de Billie é muito suave, aliás, muitas das suas canções são murmúrios "whispers" sussurros com o qual ela nos enfeitiça. É raro ela gritar. São músicas de outro mundo, dádivas que nos foram presenteadas.
A Primeira que me tocou muito foi "Ilomilo" que se encaixa nas músicas que eram lançadas. Não sei como é possível não gostar desta música. O ritmo é tão bom, (adoro os baixos), bem como, a inocência das palavras: -" An endless fear of losing someone"*. A canção tem a ver com um jogo que foi criado com um intuito de juntar Ilo com Milo. Uma pérola. Na altura, não havia vídeo, mas, há pouco tempo, ela lançou um, como era expetável.
Ilomilo
Estamos a entrar numa outra essência. A sua integridade é exposta. Cada palavra é rasgada das suas entranhas. Nestas músicas, já não é apenas uma cantora que encontra uma plataforma de representação potente e externa, são momentos desafiadores em termos vocais e sentimentais. Aqui, com estas músicas, descobrimos uma Artista versátil e completa. Capaz de cantar e partilhar emoções. É raro um/a artista chegar a este ponto de perfeição. É de se tirar o chapéu!
"Listen before i go" é tão triste, mas, tão triste e tão bem cantado que consegue fazer-me chorar de tão belo que é. O tema da música é muito, muito perturbador...
Listen Before I Go
A música seguinte é "I love you" e, mais uma vez, é um grande desempenho. Aqui, ela mostra toda a sua competência. Qualquer pessoa pode imaginar-se a cantar "I love You" em qualquer altura da vida, mas, não sei se consegue passar a mensagem com a mesma intensidade do que ela. As palavras são simples, poderosas e a interpretação é muito sincera. Quem não sente pele de galinha ao ouvir esta música? Uma atuação ao vivo que vale a pena ver.
I Love You
E depois, fui ao concerto com a minha filha, como dissera. Foi espetacular! Adorei ver-me no meio de tantos e tantas adolescentes. Muitos(as) disfarçados(as) de Billie, com vestuário e cabelo a condizer. Foi tão bom ver toda uma diversidade de pessoas. Muitas mães e pais com filhos e filhas. A minha filha cantava o que conhecia, saltava, dançava. Valeu a pena!
Concerto em Lisboa 4 de Setembro de 2019
No dia do concerto em Lisboa, ela lançou o vídeo de "All The Good Girls Go To Hell". Interessante título, para uma música que é, segundo ela, sobre as alterações climáticas. Ela faz alusões muitas vezes a essas alterações nas palavras. O vídeo é muito revelador. Um jovem consciente do seu tempo. Ela faz renascer Lúcifer como prelúdio do que pode acontecer se continuar a negação e a inação dos homens. Se nada for feito, iremos ter é o inferno na terra!
All The Good Girls Go To Hell
Na minha descoberta um pouco desfasada, com uma cronologia ilógica, dissequei algumas músicas de "When We Fall Asleep, Were Do We Go?" e passei pelo seu EP "Don´t Smile at me" onde "Bellyache" foi retirado e colocado no início da mensagem, mas há muito mais por explorar. No EP há muito por gostar. A música, por exemplo, que a colocou no seu incrível caminho - "Ocean Eyes", em que as vozes foram inspiradas pela grande, mas grande (para mim), Aurora com o seu "Runaway", tem uma bonita história que envolve a sua criação: - "Além de cantar, eu também sou dançarina. Eu danço desde os oito anos. No ano passado, um dos meus professores perguntou se eu escreveria uma música ou se o meu irmão escreveria uma música para coreografar uma dança."* Colocaram a música no SoundCloud para descarregar gratuitamente e foi sempre a subir... a espalhar boa onda pelo mundo. A voz dela é incrível!
Ocean Eyes
A seguir coloco uma música que adoro e que tem, mais uma vez, uma mensagem maravilhosa. "Idontwannabeyouanymore" é sobre as dificuldades de se reconhecer em frente ao espelho. Muitos/as adolescentes não se sentem confortáveis com os seus corpos, muitos/as sofrem de Bullying por serem diferentes. A própria Billie Eilish usa roupa muito grandes para "não ser sexualizada" porque são comuns os comentários sobre o corpo, sobretudo das mulheres. A música serve para empoderar as pessoas que se sentem mal com elas próprias. Partilho este desempenho, espetacular, ao vivo.
Idontwannabeyouanymore
No fim do ano passado saiu "Everything I Wanted" com outra mensagem muito bonita. Ela enaltece a necessidade de ter alguém como o seu irmão na vida, que a ampara e ajuda. Ele segue-a até ao fim da viagem. Canta, também, a sorte que ela tem de contar com quem lhe é importante e que a estrada que ela traçou conferiu-lhe alguma responsabilidade em relação ao seu público. Uma linda mensagem de amor. A música é fantástica.
Everything I Wanted
Entretanto, ela ganhou muitos prémios, ela ganhou todos os Grammys onde ela estava indicada. O ano de 2019 foi dela e do irmão.
Foram convidados para fazerem a música do novo 007 e mais uma vez não dececionaram. A música é perfeitamente trabalhada para se enquadrar numa música de um filme de James Bond (como diriam os meus pais). O seu desempenho vocal é perfeito. Há sempre uma certa timidez na voz, é raro ela sobrepor-se à música, mas, quando ela o faz é impecável. Partilho a sua atuação nos Brit Awards.
No Time To Die
É uma pessoa consciente do seu papel e não tem medo de opinar e comentar sobre o que se passa no mundo, bem como, no seu país. É ativa nos seus ideais. Ela e o irmão fizeram uma música sobre o filme "Roma" que se chama "When I Was Older" e é fantástica. "Roma" ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2019. Está na Netflix.
When I Was Older
O que é peculiar com ela, também, é a sua ligação com a moda. Grandes marcas de roupa alteraram os seus padrões para se encaixarem no estilo de Billie Eilish. Bom marketing para elas. Mesmo assim, ela desenhou roupas para a marca Bershka que permitiu aos seus fãs comprarem roupa dela a um preço acessível.
Billie Eilish é brilhante e a sua música é um caminho para se conectar com o mundo como ele é. Não há mentiras na sua arte. Vamos ver o que ela irá fazer. Vamos esperar. Que continue!
Billie Eilish is an 18-year-old girl who has conquered the world with her music and personality. Her career is a world-wide bang. It is, moreover, because of that, I wanted to make this message, because I am simply amazed by her rise.
For this, I will try to write, in the most chronological and honest way, my discovery until today, with, in between, her passage through Portugal.
Meanwhile, I was delighted with my new musical passions, a girl from the Internet appeared in a way never seen before. In fact, it was my niece who made me discover Billie Eilish, the only time we talked about music. I told her about my passions, and she showed me a video of a girl named Billie Eilish, which I didn't know, despite having 7 million subscribers on YouTube. I was very perplexed, she grabbed her cell phone and made me hear "Bellyache". Furthermore, I didn't want to believe the words … Truth be told that the music was very interesting, the production was a real treat and the vocal performance was very, very good. I was very curious …
Bellyache
I didn't know anything about her, but even nothing, despite already giving letters to the (inter) national Tops with her EP "Don’t Smile at Me". My days started to listen to other artists until, suddenly (for me), I no longer remember where and when, I see "When The Party is Over". Well, what caught my attention, as with all people I bet, were the black tears falling from her eyes. Then, I began to realize that it´s differed from everything that was produced. We can talk about the video, about his immaculate white nightgown, in a white atmosphere and black tears falling as if they were the epitome of suffering and liberation. Amazing. I was amazed, I must say, with the simplicity of the video, the music and the interpretation are again very good. She goes very low, it even creeps and goes up like nothing.
When the party is over
Then, came the song and video for "Bury a Friend". Music production is brilliant. Her brother Finneas produces and writes the songs with Billie Eilish. This song is minimalist, well orchestrated and supports the lyrics in a perfect way. The lyrics are like a purging of demons, of our fears, of our losses, of suicide. The video is extraordinary, it looks like a dream taken from a horror film. It doesn't shock me at all. The male voice is wonderful and opposes hers, as if it were a call that pulls her up, to the earth, to reality and to accept life despite suffering. The demons are under the bed.
Bury a friend
I'm trying to be as close as possible to my chronology regarding my discovery, so the following song is from a 2018 video, (she is 16 years old) that I saw in 2019 at Ellen's show, which passes in Portugal a few months apart. So, as you can see, everything is a little connected. At the time, Billie Eilish was everywhere. "Bad Guy" was already out. I just started to pay more attention to her work, as I explain above, when I saw … "You Should See Me in The Crown" and I was amazed! I got caught! It was the key moment that sealed my admiration. There is still more, but this was the moment. In that performance, there is only his brother on a synthesizer and a drummer. The production, again, different, minimalist, detailed and, in addition, the words are empowerment - strength; overcoming and conquering. The album "When We Fall Asleep, Where Do We Go?" had not yet come out in 2018, despite her playing this song that would be part of it. I leave you with this incredible performance.
You should see me in the Crown
I apparently don't have an age that fits the Billie Eilish fans or connoisseurs universe. At least, that's what I thought, but after what I saw, everything changed.
It was such that, I had tickets to go to a concert by one of my favorite singers in July 2019, when my niece and sister told me they had tickets to go to see Billie Eilish in September, at the "Altice Arena" in Portugal. I'm probably talking about dinner at my parents' house around June, very close to the event. After dinner, I ran to the Internet to buy tickets for me and my daughter, and what was my surprise !? - everything was sold! The only tickets left were for the audience, but they had an age limit that prevented my 11-year-old daughter from going. Even so, I looked on other websites to get tickets and I got it, not just for me, but especially for my daughter. A woman, a girl like Billie Eilish, an icon almost their age (my daughter and niece) feminist is something that should be shared with all the girls in the world. She is the image of what I believe to be a strong woman, a good influence, preying on her freedom and fighting for women's rights. She is assumed to be different, she speaks openly of her experiences, her mental health, her syndrome and breaks taboos in relation to what it is to be a planetary artist. Not only that, but she defends the right not to be well and uses music as a catharsis for her and her fans. She dresses as she wants and runs away from the stereotypes and prejudices associated with women who stifle girls' growth a lot. After getting the 2 tickets at the counters, I didn't care about anything else. I was overjoyed!
"Bad Guy" is a song in which she assumes that she is the "Bad Guy." It is interesting to see how she stands in relation to the letter. She pretends to be the one in power, the one who is in charge and the one who decides with whom she relates. The production is once again incredible. The video is in a good mood, it breaks everything, enjoys a little with the image of the "Bad Guy" - the end confirms the seizure of power. The video has over 800 million views, the song was the song of the year for the Grammy Awards. Incidentally, the album too.
Bad Guy
Her success was in plain sight. She broke all records with the songs and videos she released. "When We Fall Asleep Where do We Go?" it was first in many countries, Portugal included. Within this album, I discovered songs that touched me personally - more intimate, sentimental, intense, different and very beautiful tracks, both in interpretation and message. It is true that she addresses very deep themes in all of her songs, but these have a very particular place in my heart. Such that they are hymns of unusual beauty. It is strange that the last 3 are: "Ilomilo"; "Listen Before I Go" and "I Love You". Billie's voice is very soft, in fact, many of her songs are whispering whispers with which she bewitches us. It is rare for her to scream. They are songs from another world, gifts that were presented to us.
The first one that touched me a lot was "Ilomilo" that fits the songs that were released. I don't know how it is possible not to like this song. The rhythm is so good, (I love the basses), as well as the innocence of the words: - "An endless fear of losing someone" *. The song has to do with a game that was created with the intention of joining Ilo with Milo. A pearl. At the time, there was no video, but recently she released one, as expected.
Ilomilo
We are entering into another essence. Its integrity is exposed. Every word is torn from your guts. In these songs, she is no longer just a singer who finds a powerful and external representation platform, they are challenging moments in vocal and sentimental terms. Here, with these songs, we discovered a versatile and complete Artist. Able to sing and share emotions. It is rare for an artist to reach this point of perfection. The Hat is to be taken off!
"Listen before I go" is so sad, but so sad and so well sung that it makes me cry so beautiful it is. The theme of the song is very, very disturbing ..
Listen Before I Go
The next song is "I love you" and, again, it is a great performance. Here, she shows all her competence. Anyone can imagine singing "I love You" at any point in their lives, but I don't know if they can get the message across with the same intensity as she do. The words are simple, powerful and the interpretation is very sincere. Who doesn't feel like chicken skin when listening to this song? A live performance that is worth seeing.
I Love You
And then, I went to the concert with my daughter, as I said. It was spectacular! I loved seeing myself in the midst of so many teenagers. Many in disguise as Billie, with matching hair and clothing. It was so nice to see a whole diversity of people. Many mothers and fathers with sons and daughters. My daughter sang what she knew, jumped, danced. Worth it!
Concerto em Lisboa 4 de Setembro de 2019
On the day of the concert in Lisbon, she released the video for "All The Good Girls Go To Hell". Interesting title, for a song that is, according to her, about climate change. She often hints at these changes in words. The video is very revealing. A young man aware of her time. It makes Lucifer reborn as a prelude to what can happen if the negation and inaction of men continues. If nothing is done, we will have hell on earth!
All The Good Girls Go To Hell
In my slightly outdated discovery, with an illogical chronology, I dissected some songs from "When We Fall Asleep, Where Do We Go?" and I went through his EP "Don't Smile at me" where "Bellyache" was removed and placed at the beginning of the message, but there is much more to explore. In the EP there is a lot to like. The music, for example, that put her on her incredible path - "Ocean Eyes", in which the voices were inspired by the great, but great (for me), Aurora with her "Runaway", has a beautiful story that involves his creation: - "In addition to singing, I am also a dancer. I have been dancing since I was eight. Last year, one of my teachers asked if I would write a song or if my brother would write a song to choreograph a dance." * They put the song on SoundCloud to download for free, and it was always going up … spreading a good wave around the world. Her voice
is incredible!
Ocean Eyes
Then I put on a song that I love and that, once again, has a wonderful message. "Idontwannabeyouanymore" is about the difficulties of recognizing yourself in front of the mirror. Many teenagers are not comfortable with their bodies, many suffer from bullying because they are different. Billie Eilish herself wears very large clothes to "not be sexualized" because comments about the body are common, especially for women. Music serves to empower people who feel bad about themselves. I share this spectacular performance live.
Idontwannabeyouanymore
At the end of last year, "Everything I Wanted" came out with another very beautiful message. She praises the need to have someone like her brother in life, who supports and helps her. He follows her to the end of the trip. She sings, too, how lucky she is to have someone who is important to her and that the road she has drawn has given her some responsibility towards her audience. A beautiful message of love. The music is fantastic.
Everything I Wanted
However, she won many awards, she won all the Grammys where she was nominated. 2019 was her and her brother's year.
They were invited to make the music for the new 007, and again they did not disappoint. The song is perfectly crafted to fit a song from a James Bond film (as my parents would say). Her vocal performance is perfect. There is always a certain shyness in the voice, it is rare that she overrides the music, but when she does it is impeccable. I share her performance at the Brit Awards.
No Time To Die
She is aware of his role and is not afraid to give his opinion and comment on what is going on in the world, as well as in his country. She is active in her ideals. She and her brother made a song about the film "Roma" which is called "When I Was Older" and is fantastic. "Roma" won the Oscar for best foreign film in 2019. It's on Netflix.
When I Was Older
What is peculiar about her, too, is her connection to fashion. Major clothing brands have altered her standards to fit Billie Eilish's style. Good marketing for them. Still, she designed clothes for the Bershka brand that allowed her fans to buy her clothes at an affordable price.
Billie Eilish is brilliant and her music is a way to connect with the world as it is. There are no lies in her art. Let's see what she does. Let's wait. She needs to continue!