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sábado, 15 de outubro de 2016

Renée Vivien - A Amizade Feminina - excerto - Livro



A Amizade Feminina 

De todas as estupidezes que os filisteus de letras subjugavam aos seus leitores, está aqui, penso, a mais formidável: “ As mulheres são incapazes de amizades. Jamais ouve um Davi e Jonatas entre as mulheres.”

Ser-me-há permitido insinuar que a afecção de Davi para Jonatas me pareceu mais passional que fraternal? Tenho como prova a oração fúnebre do jovem conquistador:

Fazias todo o meu prazer.

O teu amor para mim era admirável,

Em cima do amor das mulheres.

Não creio que sejam lágrimas puras de amizade penosa. Reconheço mais lágrimas de sangue de um ardor viúvo.

O quanto é mais desinteressada a magnífica ternura de Ruth a Moabite por Noami! Nenhum lânguido carnal podia se desenvolver na amizade das duas mulheres. Naomi já não era jovem. Ela fala dela própria: "Já sou velha para me casar de novo".

Não conheço nada de mais belo, de mais simples e de mais empolgante que esta passagem:

"Naomi diz à Ruth: Veja, sua cunhada está voltando para o seu povo e para o seu Deus. Volte com ela!"
Ruth, porém, respondeu: “Não insistas comigo que te deixe que não mais te acompanhe. Aonde fores irei, onde ficares ficarei! O teu povo será o meu povo e o teu Deus será o meu Deus! Onde morreres morrerei, e ali serei sepultada. Que o Senhor me castigue com todo o rigor se outra coisa que não a morte me separar de ti!"

Como a mais bela música, as palavras deixam-vos sem fôlego frente ao infinito.

Na oferta resignada de Naomi, que o todo-poderoso traz de mãos a abanar no seu país natal, Ruth a Moabita respondeu com esta frase de uma implorante humildade: “Não insistas comigo que te deixe que não mais te acompanhe”, que prepara, assim que um prelúdio sussurrando, a amplitude de orgulho da estrofe incomparável: “Onde ficares ficarei…”

Jamais nenhum choro de amor iguala este fervor e esta abnegação. O poema da amizade ultrapassa o poema do amor. É o albe desenlace, a branca paixão. E esta ternura se estende até a morte: “Onde morreres morrerei, e ali serei sepultada.

Naomi, cujo significado do nome é beleza, doçura, seja louvada pela amizade que inspiras à tua filha, e que celebraram assim as virgens de Israel: “… A tua nora que te ama…ela que vale mais para ti que sete filhos…

Na verdade, O Livro de Ruth é a apoteose da amizade magnânima. A amizade, fusão pura das almas, neve derretida na neve… A amizade, choro de citaras e perfumes de violetas…

Acreditem em mi, ó Naomis e Ruths do futuro, o que à de melhor e mais bonito no amor, é a amizade.



Excerto retirado do livro de Renée Vivien: "La Dame à la Louve (1904)" 

A Amizade Feminina de Renée Vivien é inspirada no Livro de Ruth do Antigo Testamento da Bíblia.

(Tradução: ASC, Audrey love.) 

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Renée Vivien - A la Bien-Aimée - Poesia

A la Bien-Aimée


Poema de Renée Vivien

Vous êtes mon palais, mon soir et mon automne,
 Et ma voile de soie et mon jardin de lys,
 Ma cassolette d’or et ma blanche colonne,
 Mon par cet mon étang de roseaux et d’iris.

 Vous êtes mes parfums d’ambre et de miel, ma plume,
 Mes feuillages, mes chants de cigales dans l’air,
 Ma neige qui se meurt d’être hautaine et calme,
 Et mes algues et mes paysages de mer.


 Et vous êtes ma cloche au sanglot monotone,
 Mon île fraîche et ma secourable oasis…
Vous êtes mon palais, mon soir et mon automne,
 Et ma voile de soie et mon jardin de lys.

 (Renée Vivien, À l'heure des mains jointes, 1906)


Minha tradução livre:

À bem Amada

poema de Renée Vivien traduzido por Audrey Love (Dec 2013).

Você é o meu palácio, a minha noite e meu Outono
E o meu véu de seda e meu jardim de lírios,
Meu queimador de ouro e minha branca colónia
Meu par este meu lago de juncos e d´íris.

Você é meus perfumes de âmbar e de mel, minha pena,
Minha folhagem, meus cantos de cigarras no ar,
Minha neve que agoniza de altivez e de calma,
E minhas algas e minhas paisagens de mar.

E você é o meu sino com o choro monótono
Minha ilha fresca e meu precioso oásis...
Você é o meu palácio, a minha noite e meu Outono
E o meu véu de seda e meu jardim de lírios

(Renée Vivien, À l'heure des mains jointes, 1906)




"The Touch" 

Poema de Renée Vivien 



Uma curta-metragem de Jane Clark sobre a despedida de Renée Vivien com uma das suas amantes.

O canto