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quarta-feira, 28 de agosto de 2024

Audrey Love (ASC) - The Confines Of Hades - Poetry

 

At the beginning or end of days 

we find ourselves on the other side of the

 mirror, caged in mechanical movements.


You are always distracted, absent, 

lost in the mirage of our ride

immersed on your cell phone. 


When our gaze unites 

in the seconds stolen from time, 

we envy anyone 

who grip a hand to open the way. 


If it feelings we share, for a brief period,

they fade after we stop,

into the dark and tenebrous tunnels. 


I wave you with a glimpse 

I send your freedom 

You transform loneliness 

in special moments.

 

Every day I look for you 

in the middle of this endless chaos 

I lost you, but I find you, again, 

between the windows with your image

a thousand times repeated 

in the Confines of Hades.


Light, the only grail of our journey,

transform us. 


Audrey Love, ASC (2024)

terça-feira, 27 de agosto de 2024

Audrey Love (ASC) - Os Confins de Hades - Poesia


Nos inícios ou fins dos dias

encontrámo-nos do outro lado do espelho

enjaulados nos movimentos mecânicos


Estás sempre distraído, ausente,

perdido na miragem das viagens

do outro lado do telemóvel.


Quando o nosso olhar une-se

nos segundos furtados ao tempo

Invejamos quem leva uma mão 

para abrir o caminho.


Se sentimentos partilhamos

por uma ínfima passagem

eles desvanecem após as paragens 

nos obscuros e tenebrosos túneis.


Aceno-te com vislumbre 

envio a tua liberdade

Transformas a solidão

num momento especial


Todos os dias procuro-te

no meio deste incenssante caos

perco-te mas reencontro-te

por entre os vidros

a tua imagem mil vezes

repetida nos Confins de Hades.


A luz, único graal da nossa jornada 

transforma-nos.

Audrey Love, ASC (2024)



domingo, 12 de fevereiro de 2023

The First Time Ever I Saw Your Face - Ewan Mc Coll & Peggy Seeger e outras versões - Roberta Flack - George Michael - Música

Eu estou sem carro, eu sei, não é algo que interessa, mas, interessa no que diz respeito à esta mensagem. Redescobri o prazer de andar de transportes públicos, algo que me faz recuar no tempo, muito lá para trás, quase, quase, perto dos meus 20 anos. Opa! se eu soubesse…

Dito isto, algumas vezes aproveito para ouvir Spotify com os meus auriculares. Hoje, foi o caso, e como não estava ligada à Internet fui calhar às músicas que tinha transferidas ou gostadas. Neste caso, de George Michael, o álbum que estava descarregado era  - "Songs from the Last Century". Apesar de querer ouvir outras canções, aceitei a proposta - quem é que não quer ouvir "Brother Can you Spare a Dime"?  Comecei a ouvir e no meio da multidão, da confusão e do barulho que se encontra no metro este álbum ressonava na azafama do dia a dia, As músicas contrastavam com a euforia ambiente. Já fora do metro, quando estava a caminhar para casa, ouvi uma balada que me fez parar o coração. O tempo, a dor nas pernas, o cansaço tinham desparecido e algo de estranho aconteceu - todo o meu ser parou para ouvir. Sentia uma sensação de prazer que subia da minha espinha até a minha cabeça. Foi uma rendição total à música - "The First Time Ever I Saw Your Face". E depois a rua embrenhou-se na música seguinte. Vale a pena ouvir o álbum todo!


Cheguei a casa e procurei saber de quem era originalmente esta canção. Ora, quem a escreveu foi Ewan Mc Coll para a sua amada Peggy Seeger. Foram os primeiros a interpretá-la, mas, há muitas interpretações e todas elas são maravilhosas. A letra é de uma simplicidade e de uma beleza incrível.

The first time ever I saw your face
I thought the sun rose in your eyes
And the moon and the stars were the gifts you gave
To the dark and the endless skies, my love
To the dark and the endless skies
And the first time ever I kissed your mouth
I felt the earth move in my hand
Like the trembling heart of a captive bird
That was there at my command, my love
That was there at my command, my love
And the first time ever I lay with you
I felt your heart so close to mine
And I knew our joy would fill the earth
And last 'til the end of time, my love
And it would last 'til the end of time
The first time ever I saw your face
Your face, your face, your face


Começo a minha procura com a própria Peggy Seeger, uma versão folk e mesmo assim, muito bonita.


Em 1962 uma outra versão muito bonita de Peter, Paul & Mary.


Uma outra versão dos The Kingston Trio lançaram a música no álbum "Hit Frontier".


Ainda em 1962 os Brothers Four


Uma versão dos Joe and Eddie


Mais uma versão de The Chad Mitchell Trio


EM 1966 foi Gordon Lightfoot que fez uma versão


Até Elvis fez uma versão da canção.


Roberta Flack

Em 1969 Roberta Flack grava a música que é lançada em 1972. A música dura mais de 5 minutos e é escolhida por Clint Estwood para o seu primeiro filme "Play Misty for Me". Em 1972 ela faz pouco mais de 4 minutos por poder passar na radio. Sente-se uma emoção quando Roberta Flack canta, de forma divinal, cada palavra escrita por Ewan Mc Coll. O ritmo é jazz, soul. A canção torna-se uma herança musical universal que fala de um amor incondicional. Na versão de Roberta Flack, o sentido da canção ganha vida. Absolutamente incrível. Vou partilhar aqui a versão mais curta.




A música teve a ajuda do filme para alcançar o primeiro lugar nas tabelas de músicas em muitos países. No filme de Clint Eastwood



A partir de Roberta Flack, a música ganhou um reconhecimento mundial e as versões, depois dela, são a partir da sua canção.

As versões e interpretações 


Celine Dion



Leona Lewis


Jennifer Hudson


Aaron Neville and Linda Rondstat


Lauryn Hill


Miley Cyrus




Existem mais versões, muito bonitas.

Vou acabar com uma versão "Live" de Roberta Flack e outra de George Michael. A letra de Ewan Mc Coll é das mais bonitas jamais escritas. Desfrutem da versatilidade das vozes. Roberta Flack é muito difícil de superar. George Michael dá à música a mesma longevidade e a sua interpretação em concerto dá pele de galinha. 

Foi uma viagem que começou no metro e continuou durante o dia. Não me canso de ouvir esta canção, que por um acaso é a melhor para partilhar, dar a ouvir às pessoas que se amam, que seja num dia especial ou não. Ela é suficiente para tornar cada momento especial. 

Bravo!!!

Roberta Flack Live em 1972



George Michael "Live in London" em 2008



quinta-feira, 20 de outubro de 2022

Audrey Love (ASC) - Prelude to Pleasure - Triptych - 1st part - Writings - Poetry - English 😈

(A poem for people over 16 years)

 

On days, when silence appropriates the space,

a shadow of solitude invades me.

I'm alone, working, listening to music, eating,

and in every moment,

I remember your arms wrapping around my body,

your hands touching my skin, my erogenous parts

and the good you do when you caress me.


There are days when the memory comes and satisfy me,

but the physical space that separates us

outlines a void where life and death mix.


You are not here, but the paths you follow for giving me pleasure

are the secrets we share.

Secrets that I showed you, that I know and know how to explore.


I don't have your smell, your breath,

your sweat, our laps in bed, your orgasm, but,

your presence emerges from the depth with your kisses,

your humidity in my mouth, my sea at your touch,

your sweet massage and your intimate penetration.


I remember and suddenly an animalistic fire rise in me.

I sweat from wanting you and sigh from not having you.

I scream that I miss you!


The heat increases and I undress with the passion that you would do

- at the door, in the corridor, on the bed, with your mouth in mine,

with your tongue in mine, with your hands.


The clothes vanish in a whirlwind of desire.

I suffocate with the air that you stole from me,

I'm alone and I want you!


I am helpless with the growing desire …

I have only one solution - the masturbation

Audrey Love ( ASC) 2020

sexta-feira, 15 de abril de 2022

Audrey Love ( ASC) - The Earth as Frontier


The Earth as a Frontier


The border of the immense and touchable heart

the only weapon in the firmament

it is the peace that unites the immeasurable affection


Borders divided between humans

in the benefit of a moonlight

deceived in the dark lie


Borders soaked in blood

in the money that separates life

of its essence.


The Border of my heart suffers from

humanity lost in its inhumanity


Border of my "tear-cleansed eyes"

that run for victims savagely incarcerated

in a space without time


Hands clasped as a refuge for fallen souls

in the infinite pain of the trampled dove

in fear as a vile and treacherous weapon.


Stop these tragic wars and restore the border

that unites us all, that gives life to all of us!

Reset the Earth Frontier!

The magnanimous genesis


The Earth as a Frontier of love, empathy, and peace

Audrey Love (ASC2022)

segunda-feira, 11 de abril de 2022

Audrey Love (ASC) - A Terra como Fronteira



A terra como fronteira


A fronteira do coração imensa e tocável
única arma no firmamento
é a paz que une a desmesurada afeição

Fronteiras divididas entre humanos
no benfazejo dum luar
enganado na tenebrosa mentira

Fronteiras embebidas em sangue
no dinheiro que separa a vida 
da sua essência.

Fronteira do meu coração que sofre
da humanidade perdida na sua desumanidade

Fronteira dos meus "olhos limpos pelas lágrimas" 
que correm pelas vítimas selvagemente encarceradas 
num espaço sem tempo 

Mãos entrelaçadas como refúgio das almas caídas 
na infinita dor da pomba espezinhada 
no medo como arma vil e traiçoeira.

Parem estas guerras trágicas e reponham a fronteira
que a todos nós une, que a todos nós dá a vida!
Reponham a fronteira da terra!
A magnânima génese 

A terra como fronteira do amor, da empatia e da paz


Audrey Love (ASC 2022)

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Audrey Love - Red Wine - Poesia

 

Em uma osteria romana, de Carl Bloch

Red wine is like a friend. It establishes a bond of coexistence, tranquillity and fraternization.

I raised his voluptuousness, and you, you chose a fresh white wile steeped in your manias.

You drank two in a row, deceived by the heat. You had not felt the freshness of citric acid in your mouth, nor its ardour.

Red wine needs time to taste, to conquer the throat, with its deep aromas that last to the infinite of the soul. Mine, accompanied me through the night, entwined in my hand, releasing his body to my passion.

You stumbled towards the car, you didn't know where you were going. If it weren't for the excitement of my senses, perpetuated by the tannins, I would be disoriented, unable to function.

Along the way, you revealed a thousand things lost in the alcohol swirling around your head, like in the rings around Saturn.

Red wine incorporates conversations in its composition - it's space, it's all possibilities.


Audrey Love 2019 (ASC)
Drink with moderation!

PS: I love white wine too

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Audrey Love - Vin Rouge - Poesia

Jan Vermeer van Delft - The Glass of Wine

 Le vin rouge est comme un ami. Il établit un lien de coexistence, de tranquillité et de fraternisation.

Je soulevais sa volupté, et toi, tu choisissais un vin blanc frais imprégné de tes manies.

Tu en as bu deux de suite, trompée par la chaleur. Tu n'avais pas senti la fraîcheur de l'acide citrique dans la bouche, ni son ardeur.

Le vin rouge à besoin de temps pour se déguster, conquérir la gorge avec ses arômes profonds qui durent jusqu'à l'infini de l'âme. Le mien, m'a accompagné dans la nuit, enlacé dans ma main, libérant son corps à ma passion.

Tu as titubé vers la voiture, tu ne savais plus où tu allais. S'il n'y avait pas l'excitation de mes sens, perpétré par les tanins, je serais désorientée, incapable de fonctionner.

En chemin, tu as révélé mille choses perdues dans l'alcool qui tourbillonnait dans ta tête, comme dans les anneaux autour de Saturne.

Le vin rouge intègre les conversations dans sa composition - c'est l'espace, c'est toutes les possibilités.

Audrey Love 2019 (ASC)
Boire avec moderation!

PS: J´aime aussi le vin blanc

quinta-feira, 28 de maio de 2020

Audrey Love (ASC) - Prelúdio de Prazer - Tríptico - 1ª parte - Escritos

Com bolinha 

5 ilustradores eróticos para seguir no Instagram - Tpm


Num dos dias em que o silêncio apropria-se dos momentos,


uma penumbra de solidão invade-me.


Estou só, trabalhando, ouvindo música, comendo, em cada momento

lembro-me dos teus braços a envolver o meu corpo,


as tuas mãos os meus recantos, as minhas zonas erógenas 


e do bem que fazes quando me tocas.


Há dias, em que a lembrança chega para me saciar,  mas,

o espaço físico que me separa de ti 


esboça um vazio onde a morte mistura-se com a vida. 


Não estás, mas os caminhos que segues para dar-me prazer


são os segredos que partilhamos.


Segredos que te mostrei, que conheço e sei como explorá-los. 


Sei que não tenho o teu cheiro, a tua respiração,


o teu suor, as nossas voltas na cama, o teu orgasmo, mas, 


a tua presença emerge da lembrança dos teus beijos, 


da tua humidade na minha boca, do meu mar ao teu toque, 


da tua doce massagem e da tua íntima penetração. 


Lembro-me, e um fogo animalesco nasce em mim. 


Transpiro de te querer e suspiro por não te ter. 


Grito a falta que te tenho! 


O calor aumenta e dispo-me com a paixão que farias 


- à porta, no corredor, na cama, com a tua boca na minha, 


com a tua língua na minha, com a tua mão na minha… 


As roupas desvanecem num turbilhão de desejo.


Sufoco com o ar que me roubaste, estou só e quero-te!


Fico desamparada com o desejo que cresce...


Só tenho uma solução - a masturbação!

Audrey Love ( ASC) 2020


*Ilustração de Sabrina Gevaerd 

sábado, 16 de maio de 2020

Lieke Marsman - Entretanto - Poesia

Allerverdrietigst, doodgaan zonder eigen keuken - NRC

ENTRETANTO

Às vezes, somente penso
que devo escrever o mais depressa possível
um conto sobre uma paisagem de neve. Enterrar-me até à relva,
calçada de botas de neve e, escavar avalanches ocas. Se olhar,
conheço os nomes de todas as plantas de cor
sobre elas cantarei em tons de dança
até ficarem de novo a descoberto.
Deixarei pedaços da minha úvula no ar,
vazia a minha garganta. Devagarinho, a minha voz
amarrotará estas paredes de neve
até haver tanto lodo
que não conseguiremos caminhar.
Ser levada lentamente pela corrente
com as rochas e os ratos, os pinheiros e
os campos, capelas, as imagens da Virgem
que usam os altares como navios.
Cantarei tão alto que
o musgo liquefar-se-á.
Cantarei tão alto que
a montanha derreter-se-á.
Cantarei tão alto que
voltará a ser possível afogarem-se
cavalos no pântano aos meus pés.
(De Wat ik mijzelf graag voorhoud, 2010)

sábado, 21 de setembro de 2019

Audrey Love - O Lamento da Amazónia - Poesia

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A Amazónia queima e chora. A Amazónia queima e chora, consegues ouvir o seu lamento?

A Amazónia e a terra sofrem da tirania do homem. A destituição de toda uma humanidade em prol do lucro e do beneficio - beneficio que também é meu, meu por inércia, por incompetência, por volubilidade, por causa da minha, nossa alimentação, consegues estar bem?
Estaria ela bela e saudável?

Como seria o nosso mundo sem ela? Sem ela, a terra?

Estes mentirosos que a colocam em segunda mão, são os que a matam. Hoje, somos nós contra ela, entendes o seu lamento?

Os jogos dos bonecos que estão como recantos das nossas belas vivências desperdiçam os olhos dos que a sentem.

A Amazónia arde, os animais gritam, consegues ouví-los? O desespero ao fugirem das chamas, o olhar para a sua terra, terras, e por fim morrerem nela, nelas, queimados, será que alguém os vê? Será que alguém os ouve?  Choramos os nossos mortos, as mortes dos que nos são queridos, esquecendo que somos todos filhos dela. Indígenas, activistas ambientais, condenados à morte por serem a terra roubada. Não há inteligência superior quando se queima o nosso habitat, quando se explora as nossas reservas, quando se mata...mata...mata!

A Amazónia é apenas uma das florestas que está a arder dentro da minha barriga. Sinto o cheiro da água a escassear no meu sangue, e as bolas, essas bolas que voam nas surpresas dos que pensam que possuam o mundo, mas, nada é deles. A água corre entre os rios da morte.

A morte persegue de dia e de noite, consegues vê-la? Está em todo o lado com uma capa de cifrões. Pessoas são desalojadas das suas casas, consegues conduzir?

O poder dos que pensam que o poder é matar é um poder vão e inútil. A morte ceifa tudo e todos no seu caminho! Não precisa de ajuda. E se a deixarmos chegar quando for a nossa hora, a hora dela, a tua, a minha, deles que se afogam nas lágrimas de crocodilos que andam por aí.

A terra cresceu estes milhões de anos, consegues contá-los? A tua passagem é mínima, o teu traço na neve desvanece com o vento. Ela nos sobreviverá, ninguém vai ficar para ver, apenas as nossas plantas, saídas no arco íris das esperanças desumanas de pais. Vidas cinzentas de carvão queimado.

A Amazónia tem milhões de anos, anos de desenvolvimento em que conseguiu suster uma biodiversidade imensa. Consegue fazer chover, apenas com a sua humidade.
Consegues ouvir o seu lamento?

Tesouros brilham, arqueológicos, hieróglifos e a sua história consegues apreendê-la?

Foge do teu outro ser, purifica-te com a qualidade do ar, não com águas na testa. Descobre o amor, a empatia por todos e tudo.

O lamento da Amazónia e de tudo o que se passa na nossa terra é o nosso lamento!
- Consegues ouvir-te?
Audrey Love  by ASC
(2019)

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Eugénio de Andrade - matéria solar


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Aqui me tens, conivente com o sol

neste incêndio do corpo até ao fim:
as mãos tão ávidas no seu voo,
a boca que se esquece no teu peito
de envelhecer e sabe ainda recusar.


Eugénio de Andrade
matéria solar (2000)


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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Não Sei Como Dizer-te - Herberto Helder - Poesia




Não sei como dizer-te que a minha voz te procura
e a atenção começa a florir, quando sucede a noite
esplêndida e vasta.
Não sei o que dizer, quando longamente teus pulsos
se enchem de um brilho precioso e estremeces
como um pensamento chegado. 
Quando, iniciado o campo, o centeio imaturo ondula tocado
pelo pressentir de um tempo distante e na terra crescida
os homens entoam a vindima
 - eu não sei como dizer-te que cem ideias,
dentro de mim, te procuram.

Quando as folha da melancolia arrefecem com astros
ao lado do espaço e o coração é uma semente inventada
em seu escuro fundo e em seu turbilhão de um dia,
tu arrebatas os caminhos da minha solidão
como se toda a casa ardesse pousada na noite.
- E então não sei o que dizer
junto à taça de pedra do teu tão jovem silêncio.
Quando as crianças acordam nas luas espantadas
que às vezes se despenham no meio do tempo
- Não sei como dizer-te que a tua pureza,
dentro de mim, te procura.

Durante a primavera inteira aprendo
os trevos, a água sobrenatural, o leve e abstracto
correr do espaço
- e penso que vou dizer algo cheio de razão,
mas quando a sombra cai da curva sôfrega
dos meus lábios, sinto que me faltam
um girassol, uma pedra, uma ave
- qualquer coisa extraordinária.
Porque não sei como dizer-te sem milagres
que dentro de mim é o sol, o fruto,
a criança, a água, o deus, o leite, a mãe
o amor, que te procuram. 

Excerto do poema "tríptico"


Herberto Helder
Poesia Toda
Lisboa, Assírio & Alvim, 1990

domingo, 3 de fevereiro de 2019

Audrey Love- As Lágrimas que não chorei - poesia


Derramei água no chão sem dar por isso.
Procurava a secura nos teus ombros perfumados.
Tinhas tudo o que queria.
O momento não era propício.

Saltavas de alegria sempre que me vias.
Aceitava a tua presença como uma dádiva do céu.
Nas minhas entranhas outra mexia.
Nos meus sonhos ela aparecia.

Ganhava o teu olhar perdido no meu olhar.
Não eras tu era eu.
Não queria voar nos teus braços.
Investir os teus beijos.

Não queria a intimidade que me vendias.
Como uma compra em segunda mão.
Amava-me, amavas-me.
Eu não te amava.

Podia não ser um problema?
Para muitos não é!
Mas porquê ser feliz duma felicidade falsa?
Aos poucos nascia uma outra em mim.
Feliz,
Radiante,
Amorosa,
Pronta para a vida e outras da vida.

Não és a minha tábua de salvação.
Não!
És pessoa com respeito e dignidade,
Dignidade que não te posso dar.

Seria bom?
Seria o suficiente para nós?
Vive a tua vida longe de mim.
Salva-te!

As lágrimas que não chorei da tua não separação.
São lágrimas que guardo no meu coração.
Audrey Love (ASC) 2018

sábado, 12 de janeiro de 2019

Wislawa Szimborska - O Verdadeiro Amor - Poesia

O verdadeiro amor. É normal, é sério, é prático?
O que é que o mundo ganha com duas pessoas que vivem num mundo delas próprias?
Colocadas no mesmo pedestal sem mérito nenhum, extraídas ao acaso entre milhões, mas convencidas que era assim que tinha de ser - em prémio de quê? De nada.
A luz desce de qualquer lado.
Porquê nestas duas e não noutras?
Não é isto uma injustiça? É sim.
Não é contra os princípios estabelecidos com diligência e derruba a moral no seu cume? Sim, as duas coisas.
Olha para este casal feliz.
Não podiam ao menos tentar esconder-se, fingindo um pouco de melancolia, por cortesia com os seus amigos?
Ouçam como riem - é um insulto a linguagem que usam - ilusoriamente clara.
E aquelas pequenas celebrações, rituais, as mútuas rotinas elaboradas - parece mesmo um acordo feito nas costas da humanidade.
É difícil prever a que ponto as coisas chegariam se as pessoas começassem a seguir o seu exemplo.
O que aconteceria à religião e à poesia?
O que seria recordado? Ou renunciado?
Quem quereria ficar dentro dos limites?
O verdadeiro amor. É mesmo necessário?
O tacto e o silêncio aconselham-nos a passar por cima dele em silêncio, como sobre um escândalo na alta roda da vida.
Crianças absolutamente maravilhosas nasceram sem a sua ajuda.
E ele chega tão raramente que nem num milhão de anos conseguiriam povoar o planeta.
Deixem que as pessoas que nunca encontraram o verdadeiro amor continuem a dizer que tal coisa não existe.
Com essa fé será mais fácil para eles viver e morrer.
3 fotos tiradas da net

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Audrey Love - A garrafa do mar - poema


A Garrafa do Mar



Uma garrafa jaz na areia

Dentro

Uma mensagem em verde:

- “Não partir!

Enche da tua vida e partilha

Guarda…


O que quiseres.”

Audrey Love 2016 (ASC)

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Audrey love - From North With Love! - Poesia

“From north with love!"


E se tudo se resumisse a um momento. 
Ao momento em que se deixa de ter olhos para nós.
Não era o fim do mundo era apenas o começo. 
O começo de uma história que gloriosamente podia crescer entre as estrelas. 
As estrelas que brilham no mais profundo buraco da galáxia e que se vêem refletidas em nós pela eternidade.

Resultado de imagem para gulliver o giganteNão estava à espera de abrir a porta e de esbanjar em ti. 
Não estava à espera de fechar a cortina do quotidiano. 
Vieste-me preencher de flores, de ventos cheios de poesias e de chocolate.
Adoro-te. 
As viagens de Guliver são poucas para te sentir no cume do meu coração. 
Estás bem dentro do meu corpo, como as abelhas nas entranhas das colmeias. 
Amo-te!
Quero dizer...podia amar-te.

Rápidas melhoras para os engenhos que não descolam. 
Para as garrafas que jazem vazias pelo chão. 
Mata-o vício.
Mata! 
Mata-te!
Morre um pouco e revive comigo!

Nas minhas mãos, nas minhas unhas, desfeitas de tanto raspar as paredes invertidas.

Resolve o teu caco e renasce em mim.
Não tenho luas para dar, tenho um mar, um mar de sal.
Veste-te de todos os disfarces do mundo e sai!
Sai da minha barriga, já não tenho a fome que outrora me deste. 
Tenho um grito, agora, como o tigre selvagem.

Abraça-te a mim, mais uma vez.
Os espelhos estão distorcidos e as peles desmanteladas.
Frias de tanto estarem ao sol.

Derrete-me de novo… infinitamente...ou gela...

(Escrevi isto em dois minutos. Não quero, nem vou alterar uma palavra. Elas simplesmente apareceram e ficou assim... Audrey Love - 2016) (ASC)

domingo, 17 de abril de 2016

Mylène Farmer- Je te dis Tout/Digo-te Tudo - Música - Poesia

Je Te Dis Tout



Silencieux 
merveilleux 
Dans ce soir mouvant
J'écoute le vent 

Héritière
Passagère
De mes jours maudits
ça je le suis 

Mon amour
je te dis tout
tu peuples ma vie
à l'infini 

Abuse le sort
frappe à ma porte
pose une main
sur mon front
sur mes seins 

Si d'aventure
je quittais terre
tu es mon sang
mon double aimant
mon ADN 

Et sur ton pull
j'y broderais M
pour que nos sangs
se mêlent au vent
mon ADN 

Dénudée
enserrée
dans ce jeu sanglant
je dis tout au vent 

Aussi calme
qu'un nuage
je suis qui pardonne au temps
aux absents 

Mon amour
je te dis tout
tu peuples ma vie
à l'infini

Abuse le sort
frappe à ma porte
Pose une main
sur mon front
sur mes seins


Digo-te tudo

Silencioso
maravilhoso
Nesta noite movediça
Ouço o vento

Herdeira
Passageira
Dos meus dias malditos
é o que eu sou

Meu amor
digo-te tudo
povoas a minha vida
ao infinito

Abusa da sorte
bate à minha porta
pousa uma mão
na minha testa
nos meus seios

Se por acaso
eu deixasse a terra
tu és o meu sangue
meu duplo amado
meu ADN

E na tua camisola
eu bordarei M
para que os nossos sangues
se juntam ao vento
meu ADN

Desnuda
reclusa
neste jogo sangrento
eu digo tudo ao vento

Tão calma
como uma nuvem
eu sou quem perdoa ao tempo
aos ausentes

Meu amor
digo-te tudo
povoas a minha vida
ao infinito

Abusa da sorte
bate à minha porta
Posa uma mão
na minha testa
nos meus seios
(Tradução Audrey Love)

O canto