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domingo, 12 de fevereiro de 2023

The First Time Ever I Saw Your Face - Ewan Mc Coll & Peggy Seeger e outras versões - Roberta Flack - George Michael - Música

Eu estou sem carro, eu sei, não é algo que interessa, mas, interessa no que diz respeito à esta mensagem. Redescobri o prazer de andar de transportes públicos, algo que me faz recuar no tempo, muito lá para trás, quase, quase, perto dos meus 20 anos. Opa! se eu soubesse…

Dito isto, algumas vezes aproveito para ouvir Spotify com os meus auriculares. Hoje, foi o caso, e como não estava ligada à Internet fui calhar às músicas que tinha transferidas ou gostadas. Neste caso, de George Michael, o álbum que estava descarregado era  - "Songs from the Last Century". Apesar de querer ouvir outras canções, aceitei a proposta - quem é que não quer ouvir "Brother Can you Spare a Dime"?  Comecei a ouvir e no meio da multidão, da confusão e do barulho que se encontra no metro este álbum ressonava na azafama do dia a dia, As músicas contrastavam com a euforia ambiente. Já fora do metro, quando estava a caminhar para casa, ouvi uma balada que me fez parar o coração. O tempo, a dor nas pernas, o cansaço tinham desparecido e algo de estranho aconteceu - todo o meu ser parou para ouvir. Sentia uma sensação de prazer que subia da minha espinha até a minha cabeça. Foi uma rendição total à música - "The First Time Ever I Saw Your Face". E depois a rua embrenhou-se na música seguinte. Vale a pena ouvir o álbum todo!


Cheguei a casa e procurei saber de quem era originalmente esta canção. Ora, quem a escreveu foi Ewan Mc Coll para a sua amada Peggy Seeger. Foram os primeiros a interpretá-la, mas, há muitas interpretações e todas elas são maravilhosas. A letra é de uma simplicidade e de uma beleza incrível.

The first time ever I saw your face
I thought the sun rose in your eyes
And the moon and the stars were the gifts you gave
To the dark and the endless skies, my love
To the dark and the endless skies
And the first time ever I kissed your mouth
I felt the earth move in my hand
Like the trembling heart of a captive bird
That was there at my command, my love
That was there at my command, my love
And the first time ever I lay with you
I felt your heart so close to mine
And I knew our joy would fill the earth
And last 'til the end of time, my love
And it would last 'til the end of time
The first time ever I saw your face
Your face, your face, your face


Começo a minha procura com a própria Peggy Seeger, uma versão folk e mesmo assim, muito bonita.


Em 1962 uma outra versão muito bonita de Peter, Paul & Mary.


Uma outra versão dos The Kingston Trio lançaram a música no álbum "Hit Frontier".


Ainda em 1962 os Brothers Four


Uma versão dos Joe and Eddie


Mais uma versão de The Chad Mitchell Trio


EM 1966 foi Gordon Lightfoot que fez uma versão


Até Elvis fez uma versão da canção.


Roberta Flack

Em 1969 Roberta Flack grava a música que é lançada em 1972. A música dura mais de 5 minutos e é escolhida por Clint Estwood para o seu primeiro filme "Play Misty for Me". Em 1972 ela faz pouco mais de 4 minutos por poder passar na radio. Sente-se uma emoção quando Roberta Flack canta, de forma divinal, cada palavra escrita por Ewan Mc Coll. O ritmo é jazz, soul. A canção torna-se uma herança musical universal que fala de um amor incondicional. Na versão de Roberta Flack, o sentido da canção ganha vida. Absolutamente incrível. Vou partilhar aqui a versão mais curta.




A música teve a ajuda do filme para alcançar o primeiro lugar nas tabelas de músicas em muitos países. No filme de Clint Eastwood



A partir de Roberta Flack, a música ganhou um reconhecimento mundial e as versões, depois dela, são a partir da sua canção.

As versões e interpretações 


Celine Dion



Leona Lewis


Jennifer Hudson


Aaron Neville and Linda Rondstat


Lauryn Hill


Miley Cyrus




Existem mais versões, muito bonitas.

Vou acabar com uma versão "Live" de Roberta Flack e outra de George Michael. A letra de Ewan Mc Coll é das mais bonitas jamais escritas. Desfrutem da versatilidade das vozes. Roberta Flack é muito difícil de superar. George Michael dá à música a mesma longevidade e a sua interpretação em concerto dá pele de galinha. 

Foi uma viagem que começou no metro e continuou durante o dia. Não me canso de ouvir esta canção, que por um acaso é a melhor para partilhar, dar a ouvir às pessoas que se amam, que seja num dia especial ou não. Ela é suficiente para tornar cada momento especial. 

Bravo!!!

Roberta Flack Live em 1972



George Michael "Live in London" em 2008



sábado, 16 de maio de 2020

Lieke Marsman - Entretanto - Poesia

Allerverdrietigst, doodgaan zonder eigen keuken - NRC

ENTRETANTO

Às vezes, somente penso
que devo escrever o mais depressa possível
um conto sobre uma paisagem de neve. Enterrar-me até à relva,
calçada de botas de neve e, escavar avalanches ocas. Se olhar,
conheço os nomes de todas as plantas de cor
sobre elas cantarei em tons de dança
até ficarem de novo a descoberto.
Deixarei pedaços da minha úvula no ar,
vazia a minha garganta. Devagarinho, a minha voz
amarrotará estas paredes de neve
até haver tanto lodo
que não conseguiremos caminhar.
Ser levada lentamente pela corrente
com as rochas e os ratos, os pinheiros e
os campos, capelas, as imagens da Virgem
que usam os altares como navios.
Cantarei tão alto que
o musgo liquefar-se-á.
Cantarei tão alto que
a montanha derreter-se-á.
Cantarei tão alto que
voltará a ser possível afogarem-se
cavalos no pântano aos meus pés.
(De Wat ik mijzelf graag voorhoud, 2010)

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Eugénio de Andrade - matéria solar


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Aqui me tens, conivente com o sol

neste incêndio do corpo até ao fim:
as mãos tão ávidas no seu voo,
a boca que se esquece no teu peito
de envelhecer e sabe ainda recusar.


Eugénio de Andrade
matéria solar (2000)


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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Não Sei Como Dizer-te - Herberto Helder - Poesia




Não sei como dizer-te que a minha voz te procura
e a atenção começa a florir, quando sucede a noite
esplêndida e vasta.
Não sei o que dizer, quando longamente teus pulsos
se enchem de um brilho precioso e estremeces
como um pensamento chegado. 
Quando, iniciado o campo, o centeio imaturo ondula tocado
pelo pressentir de um tempo distante e na terra crescida
os homens entoam a vindima
 - eu não sei como dizer-te que cem ideias,
dentro de mim, te procuram.

Quando as folha da melancolia arrefecem com astros
ao lado do espaço e o coração é uma semente inventada
em seu escuro fundo e em seu turbilhão de um dia,
tu arrebatas os caminhos da minha solidão
como se toda a casa ardesse pousada na noite.
- E então não sei o que dizer
junto à taça de pedra do teu tão jovem silêncio.
Quando as crianças acordam nas luas espantadas
que às vezes se despenham no meio do tempo
- Não sei como dizer-te que a tua pureza,
dentro de mim, te procura.

Durante a primavera inteira aprendo
os trevos, a água sobrenatural, o leve e abstracto
correr do espaço
- e penso que vou dizer algo cheio de razão,
mas quando a sombra cai da curva sôfrega
dos meus lábios, sinto que me faltam
um girassol, uma pedra, uma ave
- qualquer coisa extraordinária.
Porque não sei como dizer-te sem milagres
que dentro de mim é o sol, o fruto,
a criança, a água, o deus, o leite, a mãe
o amor, que te procuram. 

Excerto do poema "tríptico"


Herberto Helder
Poesia Toda
Lisboa, Assírio & Alvim, 1990

sábado, 12 de janeiro de 2019

Wislawa Szimborska - O Verdadeiro Amor - Poesia

O verdadeiro amor. É normal, é sério, é prático?
O que é que o mundo ganha com duas pessoas que vivem num mundo delas próprias?
Colocadas no mesmo pedestal sem mérito nenhum, extraídas ao acaso entre milhões, mas convencidas que era assim que tinha de ser - em prémio de quê? De nada.
A luz desce de qualquer lado.
Porquê nestas duas e não noutras?
Não é isto uma injustiça? É sim.
Não é contra os princípios estabelecidos com diligência e derruba a moral no seu cume? Sim, as duas coisas.
Olha para este casal feliz.
Não podiam ao menos tentar esconder-se, fingindo um pouco de melancolia, por cortesia com os seus amigos?
Ouçam como riem - é um insulto a linguagem que usam - ilusoriamente clara.
E aquelas pequenas celebrações, rituais, as mútuas rotinas elaboradas - parece mesmo um acordo feito nas costas da humanidade.
É difícil prever a que ponto as coisas chegariam se as pessoas começassem a seguir o seu exemplo.
O que aconteceria à religião e à poesia?
O que seria recordado? Ou renunciado?
Quem quereria ficar dentro dos limites?
O verdadeiro amor. É mesmo necessário?
O tacto e o silêncio aconselham-nos a passar por cima dele em silêncio, como sobre um escândalo na alta roda da vida.
Crianças absolutamente maravilhosas nasceram sem a sua ajuda.
E ele chega tão raramente que nem num milhão de anos conseguiriam povoar o planeta.
Deixem que as pessoas que nunca encontraram o verdadeiro amor continuem a dizer que tal coisa não existe.
Com essa fé será mais fácil para eles viver e morrer.
3 fotos tiradas da net

domingo, 17 de abril de 2016

Mylène Farmer- Je te dis Tout/Digo-te Tudo - Música - Poesia

Je Te Dis Tout



Silencieux 
merveilleux 
Dans ce soir mouvant
J'écoute le vent 

Héritière
Passagère
De mes jours maudits
ça je le suis 

Mon amour
je te dis tout
tu peuples ma vie
à l'infini 

Abuse le sort
frappe à ma porte
pose une main
sur mon front
sur mes seins 

Si d'aventure
je quittais terre
tu es mon sang
mon double aimant
mon ADN 

Et sur ton pull
j'y broderais M
pour que nos sangs
se mêlent au vent
mon ADN 

Dénudée
enserrée
dans ce jeu sanglant
je dis tout au vent 

Aussi calme
qu'un nuage
je suis qui pardonne au temps
aux absents 

Mon amour
je te dis tout
tu peuples ma vie
à l'infini

Abuse le sort
frappe à ma porte
Pose une main
sur mon front
sur mes seins


Digo-te tudo

Silencioso
maravilhoso
Nesta noite movediça
Ouço o vento

Herdeira
Passageira
Dos meus dias malditos
é o que eu sou

Meu amor
digo-te tudo
povoas a minha vida
ao infinito

Abusa da sorte
bate à minha porta
pousa uma mão
na minha testa
nos meus seios

Se por acaso
eu deixasse a terra
tu és o meu sangue
meu duplo amado
meu ADN

E na tua camisola
eu bordarei M
para que os nossos sangues
se juntam ao vento
meu ADN

Desnuda
reclusa
neste jogo sangrento
eu digo tudo ao vento

Tão calma
como uma nuvem
eu sou quem perdoa ao tempo
aos ausentes

Meu amor
digo-te tudo
povoas a minha vida
ao infinito

Abusa da sorte
bate à minha porta
Posa uma mão
na minha testa
nos meus seios
(Tradução Audrey Love)

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Pierre Reverdy - Grandeur Nature - Tamanho Natural - Poesia

Pierre Reverdy

GRANDEUR NATURE

Je vois enfin le jour à travers les paupières
Les persiennes de la maison se soulèvent
Et battent

Mais le jour où je devais le rencontrer
N'est pas encore venu

Entre le chemin qui penche et les arbres il est nu
Et ces cheveux au vent que soulève le soleil
C'est la flamme qui entoure sa tête

Au déclin du jour

Au milieu du vol des chauves-souris

Sous le toit couvert de mousse où fume une cheminée

Lentement
Il s'est évanoui

Au bord de la forêt
Une femme en jupon
Vient de s'agenouiller

Pierre Reverdy por Modigliani

TAMANHO NATURAL

Por fim vejo o dia através das pálpebras
As persianas da casa insurgem-se
E batem

Mas o dia em que o devia encontrar
Não chegou ainda

Entre o caminho que desce e as árvores ele está nu
Esses cabelos ao vento que o sol levanta
É a chama que lhe rodeia a cabeça

Ao anoitecer

No meio do voo dos morcegos

Sob o tecto musguento e a chaminé fumarenta

Lentamente
Desmaia

Na borda da floresta
Uma mulher em saiote
Ajoelhou-se

Poema de Pierre Reverdy traduzido por Eugénio de Andrade e que faz parte do Livro "Trocar de Rosa" de Eugénio de Andrade editado pela editora Limiar em Março de 1981 

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Allen Ginsberg - Poema de amor sobre um tema de Whitman - Poesia

Allen Ginsberg

Poema de amor sobre um tema de Whitman

Entrarei silencioso no quarto de dormir e me deitarei
entre noivo e noiva,
esses corpos caídos do céu esperando nus em sobressalto,
braços pousados sobre os olhos na escuridão,
afundarei minha cara em seus ombros e seios, respirarei tua pele
e acariciarei e beijarei a nuca e a boca e mostrarei seu traseiro,
pernas erguidas e dobradas para receber,
caralho atormentado na escuridão, atacando,
levantado do buraco até a cabeça pulsante,
corpos entrelaçados nus e trêmulos,
coxas quentes e nádegas enfiadas uma na outra
e os olhos, olhos cintilando encantadores,
abrindo-se em olhares e abandono,
e os gemidos do movimento, vozes, mãos no ar, mãos entre as coxas,
mãos, na umidade de macios quadris, palpitante contração de ventres
até que o branco venha jorrar no turbilhão dos lençóis
e a noiva grite pedindo perdão
e o noivo se cubra de lágrimas de paixão e compaixão
e eu me erga da cama saciado de últimos gestos íntimos
e beijos de adeus –
tudo isso antes que a mente desperte,
atrás das cortinas e portas fechadas da casa escurecida
cujos habitantes perambulam insatisfeitos pela noite,
fantasmas desnudos buscando-se no silêncio.

Allen Ginsberg

Francis Bacon - Duas figuras


domingo, 10 de maio de 2015

José Saramago - Não me peçam razões... - Poesia

José Saramago

Não me Peçam Razões...

Não me peçam razões, que não as tenho,
Ou darei quantas queiram: bem sabemos
Que razões são palavras, todas nascem
Da mansa hipocrisia que aprendemos.

Não me peçam razões por que se entenda
A força de maré que me enche o peito,
Este estar mal no mundo e nesta lei:
Não fiz a lei e o mundo não aceito.

Não me peçam razões, ou que as desculpe,
Deste modo de amar e destruir:
Quando a noite é de mais é que amanhece
A cor de primavera que há-de vir.

José Saramago, in "Poemas Possíveis"

Klimt - Apfelbaum

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Maria Teresa Horta - Segredo - Poesia

Maria Teresa Horta

Segredo

Não contes do meu
vestido
que tiro pela cabeça

nem que corro os
cortinados
para uma sombra mais espessa

Deixa que feche o
anel
em redor do teu pescoço
com as minhas longas
pernas
e a sombra do meu poço

Não contes do meu
novelo
nem da roca de fiar

nem o que faço
com eles
a fim de te ouvir gritar


Maria Teresa Horta, in “Poesia Completa”

Roberto Ferri

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Safo - A Amada - Poesia

Charles Mengin - Safo

A Amada

Ventura, que iguala aos deuses,
Em meu conceito, desfruta
Quem, junto de ti sentada,
As doces falas te escuta,
Goza teu mago sorrir.

Julius Kronberg - Safo
Quando imagino em tal gosto
ë minha alma um labirinto;
Expira-me a voz nos lábios;
Nas veias um fogo sinto;
Sinto os ouvidos zunir.

Gelado suor me inunda;
O corpo se me arrepia;
Foge-me as cores do rosto,
Como ao vir da quadra fria
Entra a folha a desmaiar.

Respiro a custo, e já cuido
Que se esvai a doce vida!
Arrisquemo-nos a tudo...
Contra uma angústia insofrida
tudo se deve tentar.
...
Toca, minha amiga,
as cordas puras da tua lira.
Já a idade fez secar meu corpo,
embranquecendo-me os cabelos que eram pretos,
tornando-me os joelhos mais que frouxos. E agora, ó companheira bem amada,
querem levar-te para longe do meu peito,
como fazem também às jovens corças.

Adoro, mais que tudo, a flor da juventude.
Meu coração apaixonou-se pelo sol,
meu coração apaixonou-se pela beleza.

Igual aos deuses me parece
Simeon Salomon -Safo e Erinna num jardim em Mitilene
quem a teu lado vai sentar-se,
quem saboreia a tua voz
mais as delícias desse riso.
quem me derrete o coração
e o faz bater sobre os meus lábios.

Assim que vejo esse teu rosto,
quebra-se logo a minha voz,
seca-me a língua entre os dentes,
corre-me um fogo sob a pele,
ficam-me surdos os ouvidos
e os olhos cegos de repente.


Torna-se líquido o meu corpo:
transpiro e tremo ao mesmo tempo.

Vejo-me verde: mais que a erva.
Só por acaso é que não morro.

Mergulha o teu corpo nesta água clara;
veste-lhe a brancura de açafrão e púrpura;
e o bordado brilho que há na tua túnica
aumente a beleza que me é tão cara...

A morte não é um bem.
Os próprios deuses o sabem.

Eles preferiram viver...

Alberto Dulce - "Dibujo Preparatorio. ilustración "Poemas" de Safo 1988"

https://www.flickr.com/photos/albertoduce/6166671811/

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Gibran Khalil Gibran - Quando o Amor - Poesia



Gibran Khalil Gibran


Quando o amor ...

 
Acenar, siga-o, ainda que por caminhos ásperos e íngremes

E quando suas asas o envolverem, renda-se a ele ainda que a

lâmina escondida sob suas asas possa feri-lo.

E quando ele falar a você, acredite no que ele diz,

ainda que sua voz possa destroçar seus sonhos,

assim como o vento norte devasta o jardim.

Pois, se o amor o coroa, ele também o crucifica.

Se o ajuda a crescer, também o diminui.

Se o faz subir às alturas e acaricia seus ramos mais

tenros que tremem ao sol, também o faz descer às raízes

e abala a sua ligação com a terra.

Como os feixes de trigo, ele o mantém íntegro.

Debulha-o até deixa-lo nu.

Transforma-o, livrando-o de sua palha.

Tritura-o, até torna-lo branco.

Amassa-o, até deixa-lo macio;

e então submete ao fogo para que se transforme

em pão no banquete sagrado de Deus.

Todas essas coisas pode o amor fazer para que

você conheça os segredos do seu coração,

e com esse conhecimento se torne um fragmento

do coração, da vida. 

Victor Florence Pollet - Endymion & Selene 

O canto