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segunda-feira, 31 de março de 2014

Sophia de Mello Breyner Andresen - Ítaca - Poesia

Ítaca

Sophia
 Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen

Quando as luzes da noite se reflectirem imóveis nas águas verdes de Brindisi
Deixarás o cais confuso onde se agitam palavras passos remos e guindastes
A alegria estará em ti acesa como um fruto
Irás à proa entre os negrumes da noite
Sem nenhum vento sem nenhuma brisa só um sussurrar de búzio no silêncio

Mas pelo súbito balanço pressentirás os cabos
Quando o barco rolar na escuridão fechada
Estarás perdida no interior da noite no respirar do mar
Porque esta é a vigília de um segundo nascimento

O sol rente ao mar te acordará no intenso azul
Subirás devagar como os ressuscitados
Terás recuperado o teu selo a tua sabedoria inicial
Emergirás confirmada e reunida
Espantada e jovem como as estátuas arcaicas
Com os gestos enrolados ainda nas dobras do teu manto

Sophia de Mello Breyner Andresen in, "Geografia"


quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Sophia de Mello Breyner Andresen - Como uma Flor Vermelha - Poesia

Como uma Flor Vermelha

Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen

Ninguém sabe onde vai nem donde vem,
Mas o eco dos seus passos
Enche o ar de caminhos e de espaços
E acorda as ruas mortas.

Então o mistério das coisas estremece
E o desconhecido cresce
Como uma flor vermelha.

Sophia de Mello Breyner Andresen
Obra Poética I, Caminho


Porque

Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen
 


Sophia de Mello Breyner Andersen in
No Tempo Dividido e Mar Novo
Edições Salamandra, 1985, p. 79

O canto