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quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Linda Edwards - Separação - Poesia

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Edvard Munch - Separação, 1896

O coração saltitando...
A alma leve e iluminada
Mas a razão vem ditando
Aflição segue desgovernada!

O coração sente tanto...
Que aperta, qual dor atroz
Eis que chega o inevitável pranto 
Do amor tardio e veloz!

Silêncio, dúvida, ausência,
Distância cruel... impaciência
Incompletude, carência!

Tristeza, angústia, tormenta,
Decisão amarga e cinzenta
Separação, que dói e acalenta!

Linda Edwards

terça-feira, 15 de novembro de 2016

The Schindler´s List - A Lista de Schindler - Filme

De Steven Spielberg


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Um filme que adoro!
Um filme importante por vários motivos: relembra a 2ª guerra mundial e as atrocidades que eram feitas por todo um país em nome da "supremacia da raça"; relembra a facilidade com se subjugam as massas a lideres com ideias de divisões e de violência; relembra, também, que isto se passou no século passado e que não estamos ao abrigo de rever algo do género no mundo e na nossa bela Europa. 
Ainda hoje não percebo como foi possível, aqui, na terra onde vivemos, haver 6 milhões de pessoas exterminadas em nome da religião, das preferências sexuais, das deficiências, das etnias... 
Uma nódoa negra que marca a nossa bela Humanidade.
E depois... o agora. Tivemos eleições do outro lado do atlântico e algo correu mal! Correu mal, sobretudo, porque o eleitorado preferiu entregar-se a um demagogo, fanático, misógino e racista, ao invés de se entregar a uma mulher que fez política toda a sua vida. Pode ter tido algumas más decisões, mas preferir Trump é algo de estranho. Algo está mal no coração da América, este coração que não aparece nas músicas e nas festas que tanto adoramos. Este momento é de grande gravidade. Estamos a assistir a mudanças drásticas em relação às liberdades e à dignidade do ser humano, das mulheres e nada podemos fazer. Estes ditadores são eleitos democraticamente... Filmes como este mostram-nos a dimensão da loucura humana quando se foca apenas no ego e no poder. 
Precisamos de nos libertar da vontade de julgar, maltratar e de rebaixar o próximo em nome do "nosso" bem-estar...

Oskar Schindler, de facto existiu. Foi um industrial oportunista que salvou os judeus que trabalhavam para ele. Começou por ser apenas para fins lucrativos e depois tornou-se uma questão de moral e de vidas. Oskar Schindler salvou os seus trabalhadores e tentou salvar mais, mas, não conseguiu...


Está "dublado" e está em Inglês. Bom filme!


https://pt.wikipedia.org/wiki/A_Lista_de_Schindler

https://pt.wikipedia.org/wiki/Oskar_Schindler

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

King Crimson - Música


King Crimson fizeram parte da minha adolescência e ainda são um dos meus grupos favoritos. O meu irmão, na altura, fez-me entrar, como se de uma bofetada se tratasse, no mundo deles. Algumas músicas eram e são tocadas para alegrar os anjos e outras para fazer feliz Hadés. Um contraste de notas e de cores que nos fazem voar. Os King Crimson são a perfeição no que toca a sentir e viver.
Adoro!
Criaram um mundo à parte em relação aos outros grupos.
Escolhi a imagem do 1º álbum "In The Court Of The Crimson King" por ser a mais emblemática e por ser um disco/LP (agora CD) simplesmente incrível!
Deles gosto de tudo: das melodias; das guitarras a chiar, do ritmo; das vozes...
Bem vindo ao mundo dos King Crimson!
"Starless" é simplesmente enorme!




















































https://pt.wikipedia.org/wiki/King_Crimson


https://pt.wikipedia.org/wiki/In_the_Court_of_the_Crimson_King

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Léo Ferré - Música


Léo Ferré foi um grande poeta e artista francês. Lembro-me de me esconder e de ter medo dele quando ele aparecia na televisão quando era pequena. Ele aparecia sempre de forma austera e com uma força incrível. Ao longo do tempo aprendi a amar a sua música e sobretudo os seus textos.
"Avec le temps", "Les Anarchistes", "C´est extra", e mais e mais, são músicas inolvidáveis.

Les Anarchistes

Um homem livre que presava a liberdade de pensar e de ser.







Sem Deus e sem Mestre era o seu lema.












Uma ode ao seu Macaco Pepée. Até se sente a dor. Uma música difícil. Sempre que a ouço sinto um nó na garganta.




Uma das mais belas letras dele.




"Avec le temps" é uma canção de uma profundeza e uma realidade brutal. Uma das melhores canções jamais escritas. Foi mil vezes cantada por outros artistas. Escolhi a Patricia Kaas para a repetir aqui porque a voz dela é algo de intocável e ela canta esta música como ela deve ser cantada, depois de Ferré claro.
E sobretudo porque me apetece!




https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%A9o_Ferr%C3%A9

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Alice - Simplesmente Alice - Filme

De Woody Allen

Mia Farrow

Adoro este filme. Já o vi vezes sem conta. Alice é uma deliciosa fábula sobre a crise de identidade, crise de valores, decepções, que ela, Alice passa num dado momento da sua vida. E sobre as escolhas que ela faz. Além da cenas caricatas que nos fazem rir, este filme tem um significado muito profundo.
Pode acontecer a todos nós.
Ela tem tudo e mesmo assim falta-lhe alguma coisa...
O final ao meu ver é perfeito!
Vale a pena ver e rever...
A opção 3 é a mais segura. Bom filme, dublado...

http://www.gigafilmeshd.com/2016/07/assistir-simplesmente-alice-dublado_3.html

http://mc-filmes.com/simplesmente-alice-online-dublado/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Alice_(1990)

sábado, 15 de outubro de 2016

Renée Vivien - A Amizade Feminina - excerto - Livro



A Amizade Feminina 

De todas as estupidezes que os filisteus de letras subjugavam aos seus leitores, está aqui, penso, a mais formidável: “ As mulheres são incapazes de amizades. Jamais ouve um Davi e Jonatas entre as mulheres.”

Ser-me-há permitido insinuar que a afecção de Davi para Jonatas me pareceu mais passional que fraternal? Tenho como prova a oração fúnebre do jovem conquistador:

Fazias todo o meu prazer.

O teu amor para mim era admirável,

Em cima do amor das mulheres.

Não creio que sejam lágrimas puras de amizade penosa. Reconheço mais lágrimas de sangue de um ardor viúvo.

O quanto é mais desinteressada a magnífica ternura de Ruth a Moabite por Noami! Nenhum lânguido carnal podia se desenvolver na amizade das duas mulheres. Naomi já não era jovem. Ela fala dela própria: "Já sou velha para me casar de novo".

Não conheço nada de mais belo, de mais simples e de mais empolgante que esta passagem:

"Naomi diz à Ruth: Veja, sua cunhada está voltando para o seu povo e para o seu Deus. Volte com ela!"
Ruth, porém, respondeu: “Não insistas comigo que te deixe que não mais te acompanhe. Aonde fores irei, onde ficares ficarei! O teu povo será o meu povo e o teu Deus será o meu Deus! Onde morreres morrerei, e ali serei sepultada. Que o Senhor me castigue com todo o rigor se outra coisa que não a morte me separar de ti!"

Como a mais bela música, as palavras deixam-vos sem fôlego frente ao infinito.

Na oferta resignada de Naomi, que o todo-poderoso traz de mãos a abanar no seu país natal, Ruth a Moabita respondeu com esta frase de uma implorante humildade: “Não insistas comigo que te deixe que não mais te acompanhe”, que prepara, assim que um prelúdio sussurrando, a amplitude de orgulho da estrofe incomparável: “Onde ficares ficarei…”

Jamais nenhum choro de amor iguala este fervor e esta abnegação. O poema da amizade ultrapassa o poema do amor. É o albe desenlace, a branca paixão. E esta ternura se estende até a morte: “Onde morreres morrerei, e ali serei sepultada.”

Naomi, cujo significado do nome é beleza, doçura, seja louvada pela amizade que inspiras à tua filha, e que celebraram assim as virgens de Israel: “… A tua nora que te ama…ela que vale mais para ti que sete filhos…”

Na verdade, O Livro de Ruth é a apoteose da amizade magnânima. A amizade, fusão pura das almas, neve derretida na neve… A amizade, choro de citaras e perfumes de violetas…

Acreditem em mi, ó Naomis e Ruths do futuro, o que à de melhor e mais bonito no amor, é a amizade.



Excerto retirado do livro de Renée Vivien: "La Dame à la Louve (1904)" 

A Amizade Feminina de Renée Vivien é inspirada no Livro de Ruth do Antigo Testamento da Bíblia.

(Tradução: ASC, Audrey love.) 

O canto