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sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Prince - Música

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Tive a sorte de ver um dos seus concertos em Paris, no ano 1993, com a minha irmã e o meu namorado da altura e adorei!

Prince, fez parte da minha intimidade, do meu crescimento, das minhas lágrimas de alegria e de tristeza. Era bem mais do que um artista, era um mundo em ele mesmo. Mostrava a sua dualidade com orgulho - o seu símbolo que mistura o feminino com o masculino acompanhou-o toda a sua vida. Definia-se como um "sex-symbol", era de facto muito "sexy", sexual - um monstro de sensualidade (OMG). Estava apaixonada por ele e encantada com sua música. Foi um dos primeiros a colocar mulheres na sua banda - como a melhor, mas, a melhor baterista de todos os tempos: Sheila E! E com os "The Revolution", Wendy e Lisa, um casal lésbico para o apoiar. Continuou a convidar mulheres durante toda a sua carreira.

O seu ritmo "R&B", "groove", "funk", dança e "experimental" (para mim) deram às suas músicas tonalidades diversas e intemporais. Tudo o que ele fez, continua incrível e perfeitamente ajustado aos dias de hoje. Era um dançarino extraordinário - nos seus concertos ele era capaz de cantar e dançar durante duas horas com sapatos de salto alto!!! Era, também, um virtuoso à guitarra, um verdadeiro artista, aliás, passou a chamar-se "The Artist" durante uns tempos, até voltar a ser Prince de novo. Ele escrevia, tocava e produzia quase todas as suas músicas. Incrível para alguém que trabalhou tanto! O seus vídeos eram performances e muito bem elaborados. Ao pesquisar na Internet, consegue-se embrenhar na sua essência.

Não houve e não há ninguém como ele!

A mensagem é um pouco grande porque Prince editou 39 álbuns durante a sua vida, criou canções de sucesso para outros artistas e colaborou com muitos deles. É simplesmente incrível o trabalho que ele realizou! A sua vida é para ser celebrada. A sua morte, mais uma depois de uma "overdose" de medicamentos, deixa-nos um grande vazio. Mesmo assim, o seu legado é tão vasto, tão rico, que ainda nos pode entreter durante muitos anos.

Bom Prince a todos e todas!

Desde cedo, as suas performances eram icónicas! A prova disso, um excerto de um concerto em 1982 onde ele canta "I Wanna Be Your Lover", do seu segundo álbum Prince (1979).

"I Wanna be your Lover"

O seu primeiro álbum é espectacular, vale a pena pesquisar: For You (1978) 

Crazy You

Baby

Um excelente primeiro álbum e depois apresentou: Dirty Mind (1980) e Controversy (1981)

Controversy

1999 (1982) passava na rádio e era muito "fun", dançante. Já era um artista planetário, foi 4 vezes disco de platina nos U-S-A e eu cantava e dançava sobre estas duas músicas: "1999" e "Little Red Corvette"

1999

Little Red Corvette

Mas, foi Purple Rain (1984) que me tocou e tocou o mundo de forma incrível! O álbum é a banda sonora do filme com o mesmo nome. Era um visionário. "Purple Rain", a música, é de uma outra dimensão, de um outro planeta! O disco foi 13x disco de platina! Vou colocar o filme no fim da mensagem e "Let´s go Crazy!" mas antes "Purple Rain"

Purple Rain

Let´s go Crazy

Não consigo encontrar uma música que não gosto neste álbum.

When Doves Cry


"Darling Nikki" foi, supostamente, a primeira música que introduziu a denominação de "Parental Advisory content!" Portanto já sabem! 

Darling Nikki

The Beautiful Ones

Baby i´m a Star

E continuou com Around the World in a Day (1985)

Raspberry  Berret

Condition Of The Heart

Seguiu-se o álbum Parade (1986), com "Kiss" e "Sometimes it snows in April"

Girls & Boys

Kiss

Sometimes it Snows in April

E Chegamos ao seu "Masterpiece" para mim. Chegámos ao álbum que me faz suspirar: Sign o' the Times (1987). É perfeito para mim. A bateria e a percussão na música "Sign o´the Times" são de levantar as mãos aos céus. É interessante porque ao ouvir a letra da música, percebe-se que ele faz uma critica ao que se passa no mundo. Uma das melhores músicas de sempre. Quando a ouço paro tudo, perco-me no seu ritmo infernal. "Hot Thing", "If I was Your Girlfriend", "Forever in My Life", são a continuação desta apoteose musical. Vale a pena ouvir, ouvir e ouvir de novo!

Sign O´ The Times

Housequake

Hot Thing

Forever in My Life

If i was Your Girlfriend

Estou quase a colocar tudo de "Sign O´ The Times" de tão bom que ele é! Vão ouvir o resto, vale a pena ouvir e ter na prateleira da vossa casa!

O álbum que se seguiu foi Lovesexy (1988) com "Alphabet Street" e "I Wish U Heaven".

Alphabet Street

I Wish U Heaven

E depois ele fez a banda sonora do filme Batman (1989) , com o assombroso "Scandalous" e o extraordinário "Batdance" Que Homem!

Batdance

Scandalous

Partyman

Depois da Banda original de Batman, Prince lançou o albúm: Graffiti Bridge (1990)

The Question of You

E depois o maravilhoso Diamonds and Pearls (1991). Diamantes como a música e o vídeo de "Insatiable" 

Thunder

Diamonds and Pearls


Cream

Get Off

Willing and Able


Insatiable

Segui-se Love Symbol Album (1992) com a música Sexy M.F. Deixo-vos, deixou-nos com esta beleza!

Sexy M. F.


Thieves in the Temple
Come (1994)

Space

LetitGo

The Black Album (1994) sai sob uma controversa e em muito poucas quantidade. Vale a pena ouvir!


The Black Album

A seguir sai The Gold Experience (1995)


The Most Beautiful Girl in the World


Gold

Prince saía um álbum quase todos os anos: Chaos and Disorder (1996)

Dinner With Delores

Emancipation (1996)

The Holy River

Somebody´s somebody

Betcha by Golly Wow

 Seguido por Crystal Ball (1998)

Love Sign
The Truth (1998)

The Truth


The Rest of My Life


The Greatest Romance Ever Sold


The Work Part 1

One Nite Alone
N·E·W·S (2003)

North

Xpectation (2003) -  um álbum instrumental. Muito interessante, vale a pena ouvir!

Xhalation
Musicology (2004) 

Musicology

Call My Name

U Make My Sun Shine

Hypnoparadise
3121 (2006) 

The Word
PlanetEarth (2007) 

Planet Hearth
Lotusflow3r (2009)

Crimson and Clover
MPLSound (2009)

Chocolate Box
20Ten (2010) 

Compassion

WOW
 Art Official Age (2014) 

Clouds

Affirmation I & II

Affirmation III


Breakfeast Can Wait

This could Be Us

June

Mr Nelson
HITnRUN Phase two

Revelation

Algumas não foram editadas, mas colocadas nos 2 álbuns que ele estaria a fazer. Hit & Run 3 e 4. deixo aqui algumas músicas que estão nestes álbuns.

All My Dreams de Hit & Run 3

Slave 2 the system de Hit & Run 4

Entretanto, dois álbuns foram editados depois da sua morte:

Marry Don´t You Weep

Nothing Compares to You

Ele cantou no Super Bowl em 2007 e durante toda a atuação choveu, foi mágico!

Super Bowl 2007

E acabou esta mensagem. Foi tão bom redescobrir Prince, redescobrir a voz, a sensualidade, a ousadia, o génio. Estou tão agradecida de tudo o que ele deu à cultura musical, à nossa cultura enquanto pessoas, ao nosso crescimento. Deu-nos liberdade! Um homem fabuloso!

Deixo o filme "Purple Rain" para verem! Vale a pena!


Playlist da mensagem


Algumas das músicas que ele compôs para outros artistas:

Sinéad O´Connor com Nothing Compares to You

Chaka Khan com I fell For You

The Bangles com Manic Monday

Art of Noise & Tom Jones com Kiss

Kate Bush com Why Should I Love You


domingo, 3 de novembro de 2019

The River Of No return - O Rio Sem Regresso- Filme

Otto Preminger


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"The River Of No Return", "O Rio Sem Regresso" em português, é um western realizado em 1954 por Otto Preminger. Relata uma viagem num Rio perigoso para fugir às ameaças, que como em qualquer western, são feitas pelos índios sangrentos e vingativos. A vingança, aliás, também faz parte da viagem, quando o oportunista namorado da cantora, protagonizada pela Marilyn Monroe, foge com um cavalo e deixa-os à mercê dos índios, tudo por causa da febre do ouro.

A viagem faz-se por um rio que atravessa a linda paisagem do Canada. A natureza é estonteante ao longo do filme. As imagens ao ar livre confundem-se com as imagens em estúdio. É um filme lindo em que Marilyn Monroe tem uma grande interpretação e Robert Mitchum é maravilhoso!

As cenas de canto são espectaculares e ficaram para a história!

Está em Inglês, não consegui de outra forma.






Marilyn em todo o seu esplendor!


One Silver Dollar


I´m Gonna File My Claim


Down in a Meadow


The River of No Return


https://pt.wikipedia.org/wiki/River_of_No_Return

domingo, 29 de setembro de 2019

Oregon - Música

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Como descrever a música de Oregon? Banda criada nos anos 1970, inspirada numa mistura de jazz/world music, com sonoridades eclécticas , um pouco como Mahavisnhu Orchestra e Shakti. Ao longo de quase 50 anos produziram álbuns. É uma música tocada para nos lembrar que há beleza neste mundo.

Ouvir Oregon é como lavar o nosso cérebro de todos os barulhos, de tudo. Eu sou completamente apaixonada pelo álbum "Out of The woods" que ouço sem fim, mas, qualquer peça de música que eles tocam, criam, vale a pena descobrir - de certeza que vai ser muito, muito boa!

Comecemos com uma música de "Our First Record" (1970)

Canyon Song

E agora uma música do segundo álbum "Music of Another Present Era" (1972)

The Silence of a Candle

Passemos pelo álbum seguinte "Distant Hills" (1973)

Aurora

A seguir veio "Winter Light (1974)

Street Dance

"In Concert" (1975)

Concerto para a televisão Norueguesa

Com o baterista Elvin Jones - "Together" (1976)

Three Step Dance

"Friends" (1977)

Timeless

"Violin" with Violinist Zbibniew Seifert (1978)

Raven´s wood

"Moon and Mind" (1979)

Moon and Mind

E chegamos finalmente ao "Out of The woods" (1978) que foi considerado um dos melhores álbuns de Jazz no ano em que saiu. É o meu álbum de eleição e foi o disco que me fez descobrir os Oregon. Eu pensava que eles só faziam barulho, mas, enganei-me completamente. Retirei o LP e coloquei-o no gira disco já lá vai...tanto tempo. Por milagre, estava de férias e a noite era calma e quente, uma noite de verão em que as janelas estão abertas e se consegue ouvir os mosquitos a voar. Nessa noite, descobria Oregon. Um vento formava-se entre as minhas orelhas e varria tudo o que eu tinha em mente, era como estar virgem (de ouvidos) de novo. O tempo de uma única beleza sobrevoava as estrelas e eu voava no meio delas. A lua parecia apreciar este momento de intimidade. Fundíamos transportados pelos sons de Oregon.

É verdade que a capa, que me faz lembrar René Magritte, chamou-me logo à atenção. Já era um ponto de interesse, mas, foi o conteúdo, que é de tal forma bonito, equilibrado, perfeito, que tudo começou para mim. Tudo neste álbum é mágico e cada titulo transporta-nos para uma diferente esfera. E se "Yellow Bell" não vos convence logo à primeira deixem-vos transportar com "Waterwheel" e se não for o suficiente então ouçam "Witchi-tai to" e se ainda não estiverem convencidos, então, não posso fazer nada por vocês...

Yellow Bell

Waterwheel

Witchi-tai- to

Depois seguiu-se "Roots in the Sky" (1979) e "In Performance" (1980) onde foi a primeira vez que foi tocado "Icarus" que para mim é uma obra-prima. 

Existem poucos registos da música, vou partilhar a original, sabendo que a versão ao vivo em "in Moscow" com o Moscow Tchaikovski Symphony Orchestra é, também, extraordinária. Vão ouvir!

Icarus

Entretanto saiu uma compilação "Oregon The essential" (1981)

Person to Person

"Oregon" 1983) é outro dos álbuns que entrou como melhor do ano em que foi lançado na categoria de Jazz, seguindo "Crossing" (1984) e "Ecotopia" (1987).

Impending Bloom

Segui-se "45th Parallel" (1989), "Always, Never and Forever" (1991), "Troika" (1993), "Beyond Words",  "Northwest Passage" (1997), "Music for a Midsummer Night's Dream (The Oregon Trio)" (1998), "In Moscow" - with the Moscow Tchaikovsky Symphony Orchestra (2000) - Um "must have" na prateleira!

In Moscow

"Live at Yoshi's" (2002), "Prime" (2005), "The Glide" (1 track, new version on iTunes) (2005) - "1000 Kilometers" (2007), "In Stride" (2010) , "Family Tree" (2012), "Lantern" (2017).

Family Tree


 Dolomiti Dance

Lantern

Continuam a dar concertos. Vale a pena ir vê-los ao vivo. 
Um grupo maravilhoso com tanto por descobrira ainda!

Icarus live in Moscow


Playlist da mensagem

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Eugénio de Andrade - matéria solar


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Aqui me tens, conivente com o sol

neste incêndio do corpo até ao fim:
as mãos tão ávidas no seu voo,
a boca que se esquece no teu peito
de envelhecer e sabe ainda recusar.


Eugénio de Andrade
matéria solar (2000)


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sábado, 10 de agosto de 2019

Amarcord - Federico Fellini - Filme

Federico Fellini


Há muito tempo que quero colocar um filme de Federico Fellini no meu blogue. Tenho a Dolce Vita em desenvolvimento, mas, sou completamente apaixonada por Amarcord. Ver Amarcord é ficar de tempos em tempos sem palavras, sem reação de tão belo que o filme é. É brilhante!
Federico Fellini é, para mim, um cineasta que capta a vida como ela é. Amarcord são as suas recordações de infância através de um jovem delinquente durante as quatros estações do ano. Nele, há um forte sentimento de descoberta do amor e do desejo como desenvolvimento natural dos jovens e das jovens que ainda estão a estudar. As cenas na escola são de partir a rir e a cor é linda. Para mim, não há nenhuma vulgaridade no que Fellini faz, percebemos todo em foco nessas descobertas sem nunca sentirmos momentos de mau-estar.
No filme, até a ascensão do fascismo é relatado maravilhosamente. Ao invés de focar na política em si, ele consegue levar-nos para a essência da juventude, quando um jovem sonha com o seu casamento, abençoado pelo Dulce, com a jovem que ele ama, mas que ela não ama.
A cidade é uma das personagens principais, bem como, as mulheres que são relatadas como as estrelas de cinema - intocáveis, belas, motivo de desejo e os seus homens com características únicas para cada um deles.
O jovem perde a mãe no inverno, as suas recordações são negras, mas, mesmo assim ainda encontra uma maneira de se deslumbrar com uma jovem que vai com ele no cortejo.
O filme acaba como começou - com a primavera. O ciclo recomeça, e mais uma vez, há uma alusão clara ao amor, quando a mais emblemática das personagens femininas casa com um homem que ela sempre sonhou.
A luz, a fotografia são também uma parte importante do filme. O vermelho aparece e destaca-se como se fosse numa pintura. Os diálogos e as cenas caricatas são cheios de humor e de poesia.
Amarcord é belo e podem vê-lo aqui.





A Música de Nino Rota acompanha maravilhosamente o filme. Bellissimo!


domingo, 16 de junho de 2019

AURORA - A Different Kind Of Human (step2) - Música

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Decidi fazer uma mensagem sobre "A Different Kind Of Human (step2)" porque a mensagem anterior a esta já é muito grande e porque penso que pode ser interessante discutir o novo trabalho da AURORA por si só.
Não costumo fazer uma revista de novos álbuns, no entanto, AURORA merece todo o nosso (meu) tempo.
Adoro, como perceberam, porque é um ser humano muito intenso e lindo. A velocidade com que faz e sai músicas é vertiginosa. Penso que ela faz bem. Depois de um primeiro álbum "All My Demons Greeting Me As A Friend" que é fabuloso e com o qual ela viajou um ano em concertos, é sempre difícil obter a mesma receção pelo público. O segundo álbum nestes casos é sempre o mais desafiante porque existe sempre a esperança que seja tão bom como o primeiro. Acontece a muitos artistas. A primeira impressão pode ser uma deceção pelo facto de ser diferente do que nos levou a adorar o seu trabalho.
AURORA é outra coisa. É muito corajosa e presenteou-nos com um super segundo álbum, "Infections Of A Different Kind (step1)" é muito rico em sonoridades, com letras que tocam da mesma forma que o primeiro. Não mudou na forma como escreve e isso é uma das suas mais valias. IOADK é um álbum potente ao nível musical, tal como referi na mensagem anterior a instrumentalização das músicas é extraordinária e com a sua voz e suas letras acabaram por ficarem sublimes.
"A Different Kind of Human (step2) é a continuidade de IOADK (step 1). Preparou-nos para ele.
Saiu na sexta-feira 7 de junho, e como sempre, uns amaram e outros nem por isso. É uma álbum mais desafiante, mais abrangente, muito trabalhado e sobretudo mais versátil. Ela experimentou novas sonoridades, novas técnicas vocais que ninguém podia pensar possível ela fazer. Não tem medo de nada.
Eu gostei, gostei muito mesmo. Adoro a frescura do álbum, a sua leveza, algo que não existia no vocabulário de AURORA, mesmo se as mensagens continuam profundas. Ela juntou-se a produtores que fizeram magia com artistas que adoramos: Bjork; London Gramar; The Knife e autores que se juntaram a ela que colaboraram com Ed Sheeran ou Madonna.
Se me dissessem que AURORA iria um dia trabalhar com eles, eu teria dito que eram doidos, mas não, já aconteceu e não há mal nenhum nisso.
É preciso visibilidade para salvar o mundo e ela merece toda a visibilidade. É uma mulher, artista, cantora, militante...precisa de toda a ajuda para conseguir expor todo o seu conteúdo. Ela é certamente alguém que merece ser ouvida.
Eu estou fiel e serei sempre fiel!
AURORA "you got me!"

A Different Kind Of Human (step2) é um grito para nós. Ela acredita na humanidade e pede apenas que mudemos as nossas atitudes perante o mundo e os nossos semblantes. Não fala de amor da forma como estamos habituados nas músicas e não é apenas critica das más decisões dos que estão no poder, toda o seu trabalho é Amor. As suas letras e músicas são como amor diluído em melodias que contrariam toda a maldade que se encontra na base de muitas das nossas ações. Sabe que temos defeitos, somos humanos, e que precisamos viver com eles, aceitá-los e transformá-los para sermos melhores pessoas para nós e para os outros. Afinal é uma otimista. É difícil chegar lá, sobretudo com o panorama em que se encontra o mundo. O nosso mundo nas mãos de quem se preocupa apenas pelo lucro e o poder. Guerras que continuam, ditadores modernos eleitos pela via democrática, a falta de empatia, de tolerância, visões fechadas subjugadas a crenças que se sobrepõem a humanidade (quando deveriam ser o contrário) e a terra que se desmorona com o nosso peso. A nossa própria existência está em jogo.
AURORA fala disse, sim, canta invita-nos a dançar e a chorar com estes tópicos tão pesados.

O albúm tem onze canções, vamos retratá-las uma a uma.

A Different Kind Of Human (step2)

1º- The River

The River" é uma canção sobre a taxa de suicído que no mundo toca mais os homens que as mulheres. Coloca-se então muitas perguntas: O que leva esses homens a cometerem suicído quando o mundo é mais propício aos homens do que as mulheres? Qual é o peso que sentem nos ombros? O quanto a educação e o que se espera deles os levam a acabarem com a vida? "You can Cry" é mesmo para lhes permitirem chorar ao invés de os proibirem de viverem as suas emoções, muitas vezes inibidas pelo machismo inerente que os acompanha.
""The River" é o primeiro com uma mensagem que fala sobre o choro, sobre chorar sem medo, deixar as lágrimas saírem como catarse que elas são e assumir as nossas fraquezas para seguir apesar das nossas tristezas. Quando a ouvi pela primeira vez não fiquei fã, não parecia dela e depois soube que era uma versão para a rádio com uma mistura de Mark Ralph. No entanto, depois de ouvir várias vezes encontrei uma singularidade e uma leveza interessante."

The River

2º- Animal

"Animal"é uma critica feroz à nossa sociedade. É sobre o que nos move no mundo. O amor, a violência dos nossos instintos que são relatados como primários, "Hunting for love, Killing for pleasure...", perdidos numa selva urbana. É muito dançante, o vídeo é a prova disso. A primeira canção que quebrou toda a imagem sonora que se tinha de AURORA. Explorou um som mais popular, algo que não se esperava. Não há mal nenhum nisso como já tinha dito.

Animal

3º- Dance on the Moon

"Dance on the moon" é sublime (para mim). A letra é linda. O que sinto é que é um pedido para que se volte a que todos sejamos unidos em torno de um ideal maior. Mais uma vez sonha com um mundo que abraça o amor. Vê-se a dançar na lua, ser um anjo, um altar quando está sozinha. Sente o tempo, o que é lindo, todos vivemos estes momentos de solidão em que se projeta o melhor de nós nos planetas e na grandeza dos nossos sonhos.

Dance on the moon

4º- Daydreamer

"Daydreamer" é mais uma vez uma música maravilhosa. Um grito que representa a sua própria função no mundo. Se é uma menina será que pode salvar o mundo? Claro que sim! Claro que é melhor passar de quem sonha de noite para quem se projeta com os seus sonhos à luz do dia e como é mulher é relacionado com a sua condição. Uma voz feminina no mundo, como todas deveriam de ser. 


Daydreamer

5º- Hunger

"Hunger" é um pouco complicada para mim. Parece que no início ela fala dela própria, nasceu a algum tempo com a morte em mente. Não somos os mesmos, mas até somos? Avatar? O engano, a metira dos que decidem? Mas logo, logo continua com o que parece ser uma ligação entre pessoas em que se discute a fome e o poder. Todos temos fome de poder e será que pode ser partilhado. A performance vocal é competamente diferente. Se calhar é melhor aceitar a letra como ela é e mais nada. 


Hunger

6º- Soulless Creatures

"Solless Creatures" é uma das minhas preferidas do álbum. Começa de forma etérea, pacifica, no entanto a letra é muito inquietante. AURORA diz que as suas músicas não são sobre ela e de certeza que esta não reflete a sua pessoa. Está mencionado uma pessoa que não se preocupa com os outros, alguém sem alma. Ela pede aliás que ela volte quando a paz for restaurada. Alguém certamente que age de forma egoísta, calculista e má. A letra mesmo assim acaba com uma mensagem dela mesma dizendo que ela deu tudo dela, os dois lados dela.

Depois de ouvir a explicação de AURORA sobre esta música, percebe-se muito bem o discurso hipotético da Terra com nos humanos e somos nós as criaturas sem alma. Não é de forma nenhuma uma pessoa má, mas, um planeta cansado de nos ter a abusar dela. Muito bem AURORA!

Soulless Creatures

7º- In Bottles

"In Bottles" é segundo os que a seguem a continuidade de "In Boxes" que narrava uma mulher que matava pessoas e guardava-as como troféus debaixo da sua cama. É extremamente forte e interessante, a música é expectacular. "Covers your eyes", "Hide my childrens"... Ups...


In Bottles


8º- A different Kind Of Human

"A different Kind Of Human" é o titulo do Álbum e é o famoso "Track 8" o número 8 é muito importante para ela. É sobre a morte, mais uma vez. Como referi em cima, as músicas não são sobre ela, mas, existe, certamente, algo que a liga ao que ela escreve. É possível que esta música tenha sido influenciada pelas suas perdas pessoais (amigos, amigas, pessoas conhecidas). O suicído pode estar relatado nesta música. Muitas interpretações podem ser dadas para esta música, mas, como escrevi na última mensagem é mesmo sobre os que vão demasiado cedo. Um pouco à imagem de algumas religiões, crenças, a vida depois da morte para AURORA é com uns extraterrestres gentis que nos levam para um lugar mais seguro e melhor. Apazigua um pouco o que é suposto ser o final. As palavras "Omega hai foleet, Omega hai foleet, Omega Toneca, Omega for let in." Dão a sensação que ela faz uma mistura de dialetos e de linguagens. Omega é a última letra do alfabeto grego, relatando o fim, o fim da viagem e o começo de outra... "For let in". "Foleet" parece ser uma folha em escandinavo.


A Different Kind Of Human


9º- Apple Tree

Ah como eu gosto desta música!!! Eu sei é muito diferente do que ela nos habituou, mas é tão bom! 
Um hino, de novo, à juventude e à esperança que vem dos jovens. Será que serão eles que irão nos salvar. Eu vejo muita cor nesta música, muita diversidade, que toca em muitas partes das nossa sociedade. Faz-me lembrar um pouco Alanis Morissette na sua interpretação. Tão bom!


Apple Tree

10º- The Seed

Já tinha falado de The Seed na mesagem anterior e como é tarde vou colocar o que já escrevi. "A segunda "The Seed" é um hino à nossa terra mãe, no momento em que os jovens estão a chamar à atenção para os problemas climáticos. O vídeo faz alusões às greves estudantis e à Greta Thunberg."


The Seed

11º- Mothership


"Mothership" é o final do álbum. É a faixa nº 11 que começa como acaba "A Different Kind Of Human" e é a subida para a Nave Mãe. As palavras "Omega hai foleet, Omega hai foleet, Omega Toneca, Omega for let in" dão a sensação que ela faz uma mistura de dialetos e de linguagens. Omega é a última letra do alfabeto grego, relatando o fim, o fim da viagem e o começo de outra... "For let in". "Foleet" parece ser uma folha em escandinavo. 


Mothership

Está aqui o meu relato pessoal de "A Different Kind Of Human (step2)". Estou à espera de o receber pelo correio. Além das pessoas que se vão demasiado cedo, que segundo ela são pessoas puras, porque não viveram o suficiente e a morte lhes bateu à porta, também pode definir uma forma de estar no mundo. Uma forma de estar que se destaca pelo bem ao invés do mal. Protelar pelo correto, pela visão de um mundo que atualmente precisa de todos nós e sobretudo de uma maior comunhão entre os seres vivos. "Hello Humans" diz ela! Quebrar as barreiras que destroem e olhar com cores de liberdade. Liberdade que se intua dentro das mentes de cada um. Temos de ser "A Different Kind Of Human" para o nosso bem. "Mothership is waiting for us!"


O canto